Polícia

Operação contra fraude em e-commerce cumpre mandados de prisão em Guarulhos e na região metropolitana

A ação visa desarticular uma quadrilha envolvida em esquemas de fraude tecnológica que geraram prejuízos superiores a R$ 263 mil.

A Polícia Civil do Estado de São Paulo deflagrou, na manhã desta terça-feira (9), uma operação para desarticular uma organização criminosa especializada em crimes cibernéticos. Os agentes cumprem ordens judiciais contra oito investigados pelos crimes de estelionato e associação criminosa. As ações operacionais concentram-se em endereços estratégicos nos municípios de Guarulhos, São Paulo e São Caetano do Sul.

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A ofensiva é coordenada pela 3ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes Cibernéticos (DCCiber), unidade especializada vinculada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC). De acordo com o inquérito policial, o grupo é acusado de estruturar um complexo esquema de transações financeiras fraudulentas utilizando os sistemas de uma grande plataforma de comércio eletrônico. Um único golpe financeiro coordenado pelo grupo em dezembro de 2024 resultou em um prejuízo consolidado de R$ 263.512,82 para a empresa vítima.

Dinâmica da fraude cibernética e mandados

O modus operandi da organização criminosa baseava-se na manipulação de ferramentas digitais de pagamento. Os líderes do esquema geravam links de cobrança oficiais através do sistema de intermediação financeira do e-commerce. Esses links eram distribuídos para comparsas e pessoas do círculo social dos envolvidos, que efetuavam os pagamentos utilizando cartões de crédito.

Assim que a plataforma liberava o saldo das vendas falsas, os valores eram pulverizados e transferidos rapidamente para contas bancárias de outros integrantes da rede. Na sequência, os compradores acionavam as operadoras de cartão de crédito para contestar as compras, alegando desconhecimento ou problemas na transação, o que gerava o estorno dos valores aos clientes. Como a administradora do cartão de crédito não repassava o chargeback (reversão de pagamento), a empresa de comércio eletrônico absorvia integralmente o prejuízo financeiro.

O delegado João Carlos Miguel Hueb, titular da 3ª DCCiber, esclareceu que a engenharia social e técnica do golpe foi desenhada para garantir o lucro imediato dos criminosos com o recebimento das supostas vendas, transferindo o passivo financeiro diretamente para os cofres das empresas de tecnologia.

Ao todo, o Poder Judiciário deferiu a prisão dos oito alvos principais da investigação, além da expedição de 15 mandados de busca e apreensão domiciliar, mobilizando as equipes policiais em diligências concentradas nos bairros de Guarulhos e demais cidades alvo. Os materiais coletados serão submetidos à análise forense para identificar novas ramificações e aprofundar o rastreamento do fluxo de capitais gerado pelo grupo.