Estadão

Para Campos Neto, Brasil é o único que está com revisões de crescimento para cima

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta sexta-feira, 26, que o Brasil é o único país com revisões para cima nas projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com ele, é possível ver alguns efeitos de reformas conduzidas na economia. "A gente começa a ver os efeitos de algumas reformas que foram feitas tanto no emprego, como no crescimento, e o Brasil é o único país que tem revisões para cima no crescimento", comentou Campos Neto, durante evento organizado pela 1618 Investimentos, em São Paulo.

Ele afirmou que o BC pode revisar a atual projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2022, de 2,1%, "um pouco para cima".

Sobre o mercado de trabalho, Campos Neto afirmou que o Brasil reduziu a taxa de desemprego em 5 pontos porcentuais durante a pandemia, um desempenho superior ao dos demais países.

O presidente do BC disse ainda que a guerra da Ucrânia criou um rompimento geopolítico e acelerou um movimento de reorganização das cadeias globais de valor.

Para Campos Neto, o Brasil pode se beneficiar dessa mudança de cenário, devido à demanda do mundo ocidental por energia renovável barata e mão de obra. "Acho que é uma enorme oportunidade para o Brasil. A gente não deveria se fechar, a gente deveria fazer parte desse mundo novo", disse.

As afirmações foram feitas por Campos Neto durante um evento organizado pela 1618 Investimentos na manhã de hoje, em São Paulo. Durante a sua participação, o presidente do BC disse ainda que muito do aumento de juros conduzido em 2022 só deve se manifestar em 2023, o que explica em parte as projeções de crescimento do PIB menores no ano que vem.

"A ausência de medidas locais de estímulo fiscal, com o efeito de juros que ainda vai fazer efeito na economia e com um crescimento global menor no ano que vem, essas três coisas geram isso", disse o presidente do BC.

Mais cedo, ao responder uma pergunta feita sobre a regulação de criptomoedas, Campos Neto disse considerar que o ponto central é dar transparência aos ativos, e não regulá-los "com uma mão pesada."

<b>Redução de dívidas no mundo</b>

O presidente do Banco Central previu que o mundo passará no futuro por um grande esforço concentrado de redução das dívidas. Ele salientou que o período de inflação baixa por muito tempo, ou mesmo deflação, levou alguns Bancos Centrais a conseguirem fazer política expandindo dívida ou imprimindo moeda, sem gerar processo inflacionário. "Essa droga criou um certo vício ao longo do tempo", disse respondendo a uma pergunta da plateia no "1618 Spring Investment Meeting".

Por esse histórico, de acordo com ele, quando ocorreu a pandemia, alguns governos entenderam que não o iam ter problemas e, nesse período, houve um processo muito forte e coordenado de aumento da dívida e de emissão de moedas. "Este ponto (a pandemia) mudou, no entanto, a parte estrutural da inflação. Governos e bancos centrais vão se adaptar. Vamos ver à frente um grande esforço concentrado de redução de dívida."

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