“Não queremos o Guti concorrendo com a gente, são ordens de cima”. A frase, atribuída a um dos participantes de uma reunião com representantes de uma empresa de carros de som contratada pelo ex-prefeito Guti, candidato a deputado federal pelo PSD, está no centro de uma denúncia que levou o caso à Justiça Eleitoral. Guti pediu a investigação da Polícia Federal para apurar uma suposta pressão sobre a empresa com o objetivo de interromper o contrato com sua campanha.
A denúncia, revelada pelo portal Metrópoles, aponta para uma possível tentativa de interferência na disputa eleitoral em Guarulhos, onde Guti e o vice-prefeito Thiago Surfista estão entre os nomes que disputam uma vaga na Câmara dos Deputados.
Segundo a representação, a empresa teria sido pressionada a romper o vínculo com a campanha de Guti, sob referências a possíveis multas e sanções administrativas. A denúncia também menciona a participação de Diguinho (Rodrigo de Azevedo Lopes Fonseca, ex-presidente da Gaviões da Fiel), irmão de Thiago Surfista, nas conversas.
O episódio levanta questionamentos sobre a possível utilização de relações com a estrutura administrativa municipal em uma disputa eleitoral. As circunstâncias, a origem das supostas ordens e a eventual participação de agentes públicos ainda precisam ser apuradas.
A gravidade do caso está na possibilidade de que uma empresa privada tenha sido alvo de pressão por manter um contrato com um candidato adversário. Se comprovada, uma conduta desse tipo poderia ultrapassar os limites da disputa política e exigir apuração sobre eventual abuso de poder ou uso indevido da estrutura pública. A referência a “ordens de cima”, registrada no áudio mencionado na denúncia, é um dos pontos que precisam ser esclarecidos.
Caso será analisado pela Justiça Eleitoral
De acordo com as informações publicadas pelo Metrópoles, o caso foi encaminhado à 176ª Zona Eleitoral de Guarulhos, que deverá analisar os pedidos apresentados, entre eles a produção de provas e a abertura de investigação pela Polícia Federal.
Procurada pelo Metrópoles, a Prefeitura informou desconhecer a denúncia. Thiago Surfista também declarou ao portal não ter conhecimento dos fatos e afirmou que sua campanha não compactua com práticas desse tipo. Diguinho não havia respondido até a publicação da reportagem do Metrópoles.
A apuração deverá esclarecer quem participou das reuniões, em que contexto foram feitas as declarações registradas e se houve efetivamente pressão para interferir na contratação de serviços de campanha.


