Estadão

Powell minimiza risco de recessão nos EUA em decorrência do aperto monetário

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, disse nesta segunda-feira, 21, não ver risco alto de recessão nos Estados Unidos em decorrência da normalização da política monetária. "Não vejo razão para pensar que a probabilidade de uma recessão no próximo ano seja elevada", afirmou, durante evento organizado pela Associação Nacional de Economia para Empresas (Nabe, na sigla em inglês).

Powell explicou que, além de a inflação estar alta, o mercado de trabalho nos EUA está muito forte. Segundo ele, há desequilíbrios entre oferta e demanda de trabalhadores nos EUA, em parte causados pela possível elevação "temporária" da taxa natural de desemprego.

"Por muitas medidas, o mercado de trabalho está extremamente apertado, significativamente mais apertado do que o mercado de trabalho muito forte de pouco antes da pandemia", pontuou o dirigente, acrescentando que é difícil saber se a economia retornará ao padrão de antes do coronavírus.

Para ele, uma recuperação mais completa do emprego, com força de trabalho mais forte, deve demorar algum tempo. "Nossas ferramentas de política monetária não podem ajudar na oferta de mão de obra no curto prazo, mas em uma longa expansão, os fatores que retêm a oferta provavelmente diminuirão", projetou, comprometendo-se a usar os instrumentos necessários para reduzir a demanda.

Powell ressaltou ainda que o Fed pode concluir ser necessário agir mais rapidamente no aperto monetário, a depender da evolução dos dados econômicos. Ele garantiu que não há planos de aumentar a meta de inflação de 2% e destacou que o Fed tende a monitorar mais a ponta curta da curva de juros.

<b> Progressos </b>

O presidente do Federal Reserve afirmou que a autoridade monetária não prevê "progressos" no horizonte de curto prazo da inflação nos Estados Unidos. Explicou que a economia global caminha para ter mais problemas nas cadeias produtivas devido à recente onda de casos de coronavírus na China, que restringiu a mobilidade em várias cidades.

O dirigente ressaltou que provavelmente as configurações de ofertas serão restauradas, mas é difícil saber a velocidade da recuperação. "Enquanto isso, à medida que definimos a política, buscaremos ver progresso real nessas questões e não presumiremos um alívio significativo do lado da oferta no curto prazo", destacou.

O banqueiro central disse ainda que o cenário inflacionário nos EUA já vinha se deteriorando "significativamente" antes da invasão da Ucrânia pela Rússia. De qualquer forma, ele disse que as expectativas de longo prazo para inflação ainda estão "bem ancoradas" para os padrões históricos.

Para Powell, as ações do Fed – incluindo aumento nos juros de 25 pontos-base – ajudarão a reduzir a inflação "para perto de 2% nos próximos três anos".

*Com informações da Dow Jones Newswires