O secretário de Esportes e Lazer de Guarulhos, Rogério Hamam, admitiu que deseja modernizar o estádio Antônio Soares de Oliveira, no Jardim Tranquilidade. Porém, segundo ele, a modernização necessita passar por uma análise de viabilidade da iniciativa privada. Além disto, como o Flamengo é o atual gestor do espaço, a concessão dada ao clube rubro-negro precisaria ser revogada, mesmo que temporariamente, para a Prefeitura dar andamento ao processo.
“Estamos analisando judicialmente esta questão, mas é importante frisar que o Flamengo tem ciência de tudo o que está acontecendo”, disse Hamam, em entrevista ao GuarulhosWeb, nesta segunda-feira, 17/06, na sede da Secretaria. “Reconhecemos a importância do trabalho realizado pelo Flamengo ao longo dos anos. Não podemos ignorar isto. Mas a Prefeitura não pode proteger clube A ou B e nem observar parada que o estádio deixe de ser atrativo”, ponderou.
A ideia, de acordo com o Hamam, é que o estádio continue servindo aos dois times da cidade, mas sem onerá-los. A manutenção, no caso, ficaria sob responsabilidade da empresa vencedora da disputa pela concessão. “Desta forma, os clubes poderão investir na formação de elencos fortes. Temos o sonho de vê-los na elite do Campeonato Paulista. Isto também atrairia mais público aos jogos das equipes”, argumentou.
Apesar de reconhecer que o espaço deve ser utilizado para a prática do futebol profissional, o secretário não descartou outras finalidades. “De repente, o estádio pode receber convenções para 5, 10 mil pessoas, shows musicais… Mas não dá para falar nada antes da análise de viabilidade”, ressaltou Hamam, que completou: “Não podemos nem falar em valor porque no Pacaembu, por exemplo, a empresa que venceu a concessão vai investir uma quantia maior do que a prevista pela Prefeitura de São Paulo. Então temos que esperar”.
Questionado pela reportagem, o presidente do Flamengo, Edson David Filho, respondeu que é totalmente favorável a investimentos da iniciativa privada. “Ficamos muito contentes em saber do interesse da administração pública em realizar algumas melhorias no estádio. Lembrando que hoje, e há pelo menos 16 anos, é o único próprio municipal esportivo com todos os laudos (AVCB, engenharia, elétrico, bombeiro, para raios) em ordem, o que possibilita ter alto rendimento na cidade. Sabemos que o município tem que se preocupar com o investimento dos seus recursos em causas mais sensíveis como saúde, educação e bem-estar da sua população. Todavia, o que o Flamengo sempre buscará é que as suas conquistas políticas sejam respeitadas no decorrer dos anos”, destacou.
Já Ricardo Agea, presidente do Guarulhos, avaliou que a possível revogação da concessão seria um “golaço da Prefeitura”. “Nos últimos anos, paguei a reforma do gramado, o AVCB e pago aluguel por cada jogo do Guarulhos. Já passou da hora de a Prefeitura rever a permissão. Toda obra de infraestrutura foi feita pelos governos Paschoal Thomeu e Elói Pietá. O equipamento está se deteriorando porque o próprio Flamengo já disse que não faz investimentos por viver em uma insegurança jurídica”.
Recuperação de praças esportivas
Hamam reconheceu que nem todas as praças esportivas de Guarulhos estão aptas ao uso e que as obras não acontecem na velocidade desejada, mas salientou que a atual gestão recuperou três dos principais espaços destinados ao esporte: Ginásio Fioravante, João do Pulo e Ponte Grande. Este último, inclusive, foi a casa do time de vôlei Corinthians-Guarulhos por duas temporadas.
Já o Thomeozão, segundo o secretário, está em fase final de licitação para reparos nas partes hidráulica e elétrica. “Os outros serviços, como o conserto do teto e a pintura, serão feitos na sequência”, destacou.
Parcerias
O secretário ainda falou sobre as parcerias que a cidade fechou com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Hamam afirmou que as ações também possuem cunho social.
“Não é apenas para formar craques. A prática de futebol tira os jovens de caminhos errados. Então a gente pensa em disponibilizar campos em condições de uso. Assim, as pessoas sentem mais vontade de jogar, num campo bem cuidado e que não ofereça riscos de lesões. Queremos ser uma referência nacional nesta parceria com a CBF, que independente de alguns dirigentes, é uma entidade gigantesca. Não podemos rotular a federação. Temos que rotular pessoas”, justificou Hamam.
Sobre o CPB, o secretário afirmou que o Brasil está entre as dez maiores potências paralímpicas do mundo. “E em breve podemos estar entre os cinco. O equipamento que o CPB tem em seu centro de treinamento na Rodovia dos Imigrantes é algo de outro mundo. Podem ser praticadas 15 modalidades lá. Além de treinarmos nossos professores de educação física e demais disciplinas, queremos montar uma estrutura na nossa cidade para recebermos competições. Guarulhos é um município enorme e precisa estar ao lado de grandes entidades”, finalizou.


