Política

PT de Guarulhos convoca militantes e comissionados a irem para as ruas defender Dilma

Lideranças do PT, como o prefeito Sebastião Almeida (PT), conclamaram a militância e funcionários comissionados da Prefeitura de Guarulhos a irem para as ruas defenderem a presidente Dilma Rousseff (PT) contra o que eles chamam de golpe, ao se referir ao processo de impeachment que tramita no Congresso Nacional, depois de avaliado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 
 
A reunião realizada na noite desta terça-feira, 29, em uma casa noturna na região do Macedo foi convocada diretamente aos servidores por Almeida, que – de forma velada – obrigou todos os comissionados a comparecerem. Até concursados, com cargos de chefia, foram “convidados” a estarem presentes. Porém, muitos deles, descontentes com o chamado, gravaram os discursos e enviaram para o GuarulhosWeb, que revela aqui alguns trechos considerados mais importantes. 
 
Um dos motivos da reunião foi mostrar aos filiados do PT e de partidos aliados, a maioria com cargos comissionados – sem concurso – na administração, a comparecerem nesta quinta-feira, dia 31 de março em um “ato pela democracia”, que será realizado na Praça da Sé, em São Paulo. O presidente do partido, Paulo Victor, chamou a atenção para o caráter de urgência do evento, conclamando as lideranças a buscarem ônibus e formas para levar os servidores até São Paulo. “Precisamos fazer volume”, disse. 
 
“Por isso, a gente pede. Envolvam aqueles que podem nos ajudar. Vamos insistir com as pessoas que podem colocar ônibus. Temos os mandatos, as lideranças que normalmente nos ajudam”, completou Paulo Victor. Em ato parecido, realizado em 18 de março, na avenida Paulista, o PT usou ônibus da EMTU para transportar os militantes e de empresa privada contratada pela administração municipal para o transporte de servidores. 
 
Em voz que seria do vice-prefeito e secretário de Saúde, Carlos Derman, o chamamento mais enfático para a luta. “O que está em jogo é a continuidade do projeto do governo Lula e do governo da Dilma. Por isso, nós vamos nos manifestar sim. Nós vamos à luta, porque nunca fugimos à luta. Mais do que nunca é hora de levantar a cabeça e ir às ruas”. 
 
Almeida, por sua vez, fez várias intervenções para mostrar que se trata de um golpe contra a democracia. Em determinado momento, disse que a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) – que entrou com um novo pedido de impeachment contra Dilma nesta segunda-feira – “esteve ao lado da ditadura militar”. 
 
O prefeito ignorou o fato da Ordem dos Advogados ter liderado o movimento do impeachment do ex-presidente Fernando Collor, um movimento que o PT apoiou. “Eles não devem ter perdido ninguém na ditadura. Não sabem o que é perder um Wladimir Herzog (jornalista morto na prisão na década de 70)”. 
 
Várias intervenções de lideranças do governo municipal chamaram os militantes para defenderem a presidente nas ruas. O vereador do PMDB, partido que deixou o governo federal nesta terça-feira, Lamé, fez um longo discurso de defesa do PT. Atribuiu à mídia e ao Poder Judiciário “o golpe que está em andamento não contra a presidente Dilma, mas contrra um projeto de país”. Ele disse que a Globo, o jornal O Estado de S.Paulo e a revista Veja estão a serviço dos golpistas, que não teriam interesse em ver o Brasil auto-suficiente na exploração de petróleo, a partir das descobertas de reservas do pré-sal. 
 
Mais adiante, Lamé defendeu que os militantes devem ir às ruas, à periferia, para “conversar com as pessoas e mostrar que o processo de impeachment é um golpe contra a democracia”. Almeida enalteceu a posição de Lamé na luta contra o golpe.