Estadão

Randolfe: CPI é único mecanismo que tem funcionado contra negacionismo do governo

O líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), defendeu a abertura de nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Casa para apurar a atuação do governo federal na pandemia de covid-19. Há cerca de duas semanas, Randolfe apresentou um pedido para a criação de nova CPI e conta com onze assinaturas. Caso o requerimento alcance 27 assinaturas, o presidente do Senado pode determinar a abertura da comissão.

Neste sábado (22), após vir à tona nota técnica publicada pelo Ministério da Saúde em que o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde do Ministério da Saúde, Hélio Angotti Neto, atribuiu eficácia à hidroxicloroquina no tratamento contra covid-19 e não às vacinas, Randolfe fez novo apelo a favor da comissão em suas redes sociais.

Segundo o senador, esse é o único mecanismo de pressão que tem funcionado para enfrentar a postura "negacionista" em relação à pandemia e é fundamental neste momento de agravamento da doença, aumento de hospitalizações, falta de testes e após o atraso na vacinação infantil.

"Aos críticos que dizem que não houve nem o resultado da primeira e questionam a abertura de outra CPI, eu digo que, ao menos durante a vigência da CPI anterior, houve pressão sobre o governo, diante da omissão do Ministério Público", disse ao <b>Broadcast</b>.

"Temos que investigar os crimes do governo Bolsonaro, senão os responsáveis sairão impunes", completou o senador que foi vice-presidente da CPI da Covid e também tem o mesmo cargo na Frente Parlamentar Observatório da Pandemia de Covid-19, criada para acompanhar os desdobramentos da comissão. O relatório da CPI da Covid recomendou o indiciamento de 66 pessoas, dentre elas, o presidente Jair Bolsonaro e o atual ministro da Saúde.

O líder da oposição no Senado ainda disse que combinou com o presidente da Comissão de Direitos Humanos, senador Humberto Costa (PT), a convocação de Hélio Angotti Neto e do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, no retorno do recesso legislativo, na primeira semana de fevereiro. Segundo Randolfe, o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, que sofreu ataques de Bolsonaro, também será convidado.

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