Estadão

Roberto Dias afirma que seu departamento não fez levantamento de preço de vacinas

Em depoimento à CPI da Covid, o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias afirmou que não caberia ao seu departamento da pasta o levantamento de preço de vacinas contra a covid-19. Como revelou o <b>Estadão/Broadcast</b>, o governo de Jair Bolsonaro fechou contrato para a compra da vacina indiana Covaxin por um preço 50% mais alto do que o valor inicial da oferta, de US$ 10 por dose. Ferreira Dias destacou que a verificação de valores cabia à Secretaria Executiva da pasta, então comandada por Elcio Franco.

A reportagem do <b>Estadão/Broadcast</b> foi citada pelo relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL). O senador destacou a revelação de um despacho do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis (DEIDT), do Ministério da Saúde. No documento, o departamento advertiu sobre a necessidade legal de realização de estimativa de preços, e sugeriu ao Departamento de Logística que avaliasse a possibilidade de realizar negociação com o fornecedor. O DLOG, porém, não seguiu essa orientação, o que foi destacado no relatório do Tribunal de Contas da União (TCU).

"Existe uma premissa equivocada, está sendo atribuído como verdade absoluta despacho do Departamento de Imunização", respondeu Ferreira Dias. "No caso de vacinas covid-9, preço já teria sido aferido pela secretaria executiva, Departamento de Logística não participa de nenhuma negociação, execução", continuou o ex-diretor do ministério, que ainda disse não ter informações sobre o motivo do valor da Covaxin ter aumentado 50%.

"Essa pergunta faz todo sentido, mas deve ser feita a quem negociou as vacinas", disse Ferreira Dias, citando novamente a Secretaria Executiva. Como mostrou o <b>Estadão/Broadcast</b>, Elcio Franco ordenou que fossem concentradas nele todas as tratativas para negociações de imunizantes contra a covid-19 um mês antes da assinatura do contrato para a compra da vacina indiana Covaxin. Em 29 de janeiro, o número 2 da gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello enviou ofício a 16 secretarias e diretorias do ministério, dando ciência sobre a concentração das ações.