A Sabesp passou a reutilizar o plástico descartado de hidrômetros substituídos para produzir um dispositivo utilizado no tratamento de esgoto. A iniciativa, desenvolvida em parceria com a Tigre, integra a estratégia de sustentabilidade e economia circular da companhia, ao reinserir resíduos na cadeia produtiva do próprio setor de saneamento.
O material reaproveitado é utilizado na fabricação do Biobob, equipamento que imobiliza e agrupa as bactérias responsáveis pela decomposição da matéria orgânica no esgoto, tornando o processo mais eficiente e compacto em comparação a sistemas convencionais.
Como funciona o reaproveitamento
A Tigre recolhe componentes plásticos dos hidrômetros desativados como cúpulas, turbinas e engrenagens fabricados principalmente em polipropileno. O desafio técnico do projeto foi desenvolver um processo capaz de separar e purificar esse plástico misto para transformá-lo novamente em matéria-prima.
O polipropileno reciclado é então utilizado na fabricação do Biobob, peça leve e tecnológica, com apenas 14 gramas, que possui uma espuma interna onde as bactérias aderem. Diferentemente dos sistemas tradicionais, em que os microrganismos ficam dispersos na água, o dispositivo melhora o desempenho do tratamento e reduz o consumo de energia e a geração de lodo.
Escala industrial a partir de 2026
Para 2026, a previsão é destinar cerca de 1.000 toneladas por ano de hidrômetros substituídos para reciclagem. Desse total, aproximadamente 60 toneladas anuais de polipropileno devem ser recuperadas.
Esse volume permite a produção de mais de 4,2 milhões de unidades do Biobob por ano, ampliando a aplicação da tecnologia nas estações de tratamento.
Atualmente, o dispositivo já é utilizado na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Cabuçu, inaugurada no ano passado em Guarulhos.
Impacto ambiental e social
Segundo a Sabesp, o projeto reforça o papel do saneamento como agente de transformação ambiental e social, ao reduzir resíduos e tornar o tratamento de esgoto mais eficiente.
O impacto também é mensurável em escala populacional. O volume de plástico recuperado em apenas um ano é suficiente para viabilizar o tratamento de esgoto de uma cidade com cerca de 27 mil habitantes, como Bonito (MT).
A iniciativa consolida um modelo de economia circular dentro do próprio setor de saneamento, ao transformar um resíduo que seria descartado em solução tecnológica aplicada diretamente na infraestrutura pública.



