Polícia

Saiba como a polícia escolhe os disfarces para combater crimes no Carnaval

Policia Infiltração estratégica já resultou em 26 prisões durante blocos na capital paulista (Foto-PCSP)
Policia Infiltração estratégica já resultou em 26 prisões durante blocos na capital paulista (Foto-PCSP)
Polícia Civil de SP utiliza policiais fantasiados no Carnaval 2026 para combater furtos e roubos; estratégia do DHPP já resultou em 26 prisões.

Transformar desafio em estratégia. Foi dessa forma que a Polícia Civil do Estado de São Paulo, por meio do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), passou a atuar de maneira inovadora no combate a furtos e roubos durante os blocos de Carnaval 2026 na capital.

A iniciativa consiste na infiltração de policiais civis fantasiados, que se misturam aos foliões para identificar atitudes suspeitas e realizar prisões em flagrante. Até o momento, 26 pessoas já foram presas com a estratégia, que alia inteligência policial e discrição para reforçar a segurança nas grandes aglomerações.

Segundo a delegada Sandra Buzati, do DHPP, a escolha das fantasias é feita de forma planejada. “A adoção de policiais disfarçados facilita a infiltração nos blocos, permitindo atuação preventiva e repressiva”, explicou. As equipes, formadas por seis a oito agentes, atuam em pontos estratégicos definidos com base em análise de inteligência, que considera histórico de ocorrências, fluxo de público e registros anteriores de crimes.

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Critérios para escolha das fantasias

As fantasias não são escolhidas aleatoriamente. De acordo com a corporação, os personagens precisam se integrar naturalmente ao perfil dos blocos, além de atender critérios operacionais como conforto, mobilidade e segurança.

Entre os comportamentos que despertam suspeita estão pessoas que circulam sem participar da festa, observando bolsos e bolsas ou se aproximando repetidamente de foliões distraídos. Durante as abordagens, os policiais realizam consultas em sistemas policiais e, quando necessário, utilizam reconhecimento facial por dispositivos móveis. Caso haja mandado de prisão em aberto, a captura é imediata.

Prisões em diferentes regiões da capital

As ações ocorreram em diversos pontos da cidade de São Paulo. No dia 31 de janeiro, uma operação na região da Barra Funda resultou na prisão de 12 suspeitos de integrar uma quadrilha especializada em crimes patrimoniais durante blocos.

No dia 7 de fevereiro, agentes infiltrados e fantasiados de extraterrestres prenderam quatro homens no Parque Ibirapuera — três por venda de bebidas clandestinas e um por portar celulares furtados.

Já no dia 8, policiais caracterizados como “Caça-Fantasmas” prenderam um casal com aparelhos furtados durante megabloco na Consolação. Neste domingo (15), agentes fantasiados de personagens do seriado Chaves prenderam cinco suspeitos na região da República, no centro da capital. Entre os detidos estavam dois homens por tráfico de drogas, um terceiro com entorpecentes variados e dinheiro, além de duas mulheres por receptação de celular furtado.

Sensação de segurança ampliada

De acordo com o DHPP, os resultados são considerados positivos. A estratégia tem aumentado as prisões em flagrante, reduzido a incidência de furtos e ampliado a sensação de segurança entre os foliões que participam dos blocos de rua.

A ação reforça o uso da criatividade e da inteligência policial como ferramentas complementares no combate ao crime durante grandes eventos públicos.