Cidades

São Paulo registra menor número de focos de calor em agosto desde 1998

São Paulo registra menor número de focos de calor (Foto-Governo de São Paulo/Divulgação)
São Paulo registra menor número de focos de calor (Foto-Governo de São Paulo/Divulgação)
São Paulo registrou 171 focos de calor em agosto de 2026, menor número para o mês desde 1998 e 65% abaixo do registrado no mesmo período

São Paulo registrou em agosto de 2026 o menor número de focos de calor para o mês desde o início da série histórica, em 1998. Foram identificadas 171 ocorrências, segundo dados do sistema BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número representa uma redução de 65% na comparação com agosto de 2025, quando foram registrados 494 focos. Em relação à média histórica para o mês, de 996 ocorrências, a queda chega a 83%. O monitoramento integra as ações do Governo de São Paulo durante a temporada de estiagem, período em que o risco de incêndios florestais aumenta devido às condições mais secas.

Inscreva-se no Canal do GWeb no WhatsApp e receba as principais atualizações do dia a dia em Guarulhos de um jeito rápido e fácil

Número é o menor da série histórica

Antes do resultado deste ano, o menor número de focos de calor registrado em agosto havia ocorrido em 2022, com 315 ocorrências. Na outra ponta, agosto de 2024 teve o maior volume da série, com 3.612 focos identificados no território paulista. Os focos são detectados por satélites a partir de anomalias térmicas na superfície. Essas informações permitem que os órgãos responsáveis identifiquem áreas que precisam de acompanhamento e direcionem equipes para possíveis ocorrências. A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) atribui o resultado deste ano à combinação de condições meteorológicas mais favoráveis e ao reforço das ações de prevenção, fiscalização e monitoramento. Apesar da redução, o governo estadual afirma que as equipes continuam mobilizadas durante a temporada de estiagem.

Foco de calor não significa necessariamente incêndio

O indicador utilizado pelo Inpe funciona como uma ferramenta de alerta, mas um foco de calor não corresponde obrigatoriamente a um incêndio. A detecção por satélite identifica uma anomalia térmica, que pode estar relacionada a diferentes situações, incluindo queimadas e queimas prescritas. Por isso, os dados precisam ser analisados em conjunto com outras informações e, quando necessário, com verificações realizadas em campo. A partir dessas informações, os órgãos ambientais conseguem definir áreas prioritárias para fiscalização e eventual atuação das equipes.

Fiscalização foi reforçada durante a estiagem

A Diretoria de Proteção e Fiscalização Ambiental (DPFA), da Semil, ampliou as ações de campo durante a temporada de estiagem. Na chamada Fase Amarela, foram priorizadas 24 Unidades de Conservação estaduais. As equipes percorreram 2.146 quilômetros e acumularam mais de 142 horas de monitoramento, além de emitirem 38 notificações e ofícios relacionados à implantação ou adequação de medidas preventivas. Já na Fase Vermelha, iniciada em julho e prevista até outubro, foram realizados até o momento 3.151 quilômetros de deslocamentos, totalizando 316 horas e 53 minutos de monitoramento, com a participação de 27 profissionais.

Entre as atividades estão a orientação da população, distribuição de materiais informativos, identificação de locais que necessitam de melhorias em aceiros e acompanhamento das áreas consideradas mais suscetíveis ao fogo.

Unidades de conservação também registram queda

Os incêndios efetivamente identificados em campo nas Unidades de Conservação administradas pela Fundação Florestal também diminuíram em agosto. Foram registradas 31 ocorrências em agosto de 2026, contra 39 no mesmo período do ano passado, uma redução de 20,5%. A Fundação Florestal também ampliou o uso do Manejo Integrado do Fogo (MIF) como estratégia preventiva. Em 2025, foram realizadas queimas prescritas em 350 hectares. Neste ano, já foram executados 600 hectares, com previsão de alcançar 2 mil hectares até dezembro. Também estão previstos 2 mil quilômetros de manutenção de aceiros para reduzir a possibilidade de propagação das chamas.

Estado mantém Operação São Paulo Sem Fogo

As ações fazem parte da Operação São Paulo Sem Fogo, que reúne órgãos estaduais, municípios e outros parceiros no trabalho de prevenção e resposta aos incêndios florestais. A estratégia envolve a Semil, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar Ambiental, Fundação Florestal, Cetesb, concessionárias e representantes do setor produtivo. Para 2026, o Estado informou ter mobilizado mais de R$ 400 milhões em investimentos e ações preventivas. Entre as medidas estão o monitoramento meteorológico e de focos de calor, utilização de imagens de satélite, sensoriamento remoto e inteligência artificial, além da preparação das equipes e fiscalização de áreas prioritárias. O Governo de São Paulo também trabalha na elaboração do Plano de Manejo Integrado do Fogo (PMIF), que deverá estabelecer diretrizes para prevenção, preparação, resposta e recuperação diante de incêndios florestais. A previsão é de conclusão até março de 2027.