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Sexta-feira 13 é dia de azar, de sorte ou apenas mais uma superstição?

Data cercada por mistério, histórias sombrias e cultura popular atravessa séculos e continua provocando debate — principalmente quando aparece às portas da folia.

Sexta-feira, 13. Para alguns, dia de não sair de casa. Para outros, oportunidade de apostar na sorte. E quando a data ainda cai na véspera de Carnaval? A superstição ganha contornos ainda mais curiosos.

Mas afinal: a sexta-feira, 13 é mesmo sinônimo de azar?

De onde surgiu a fama de má sorte?

A crença mistura religião, mitologia e episódios históricos. Um dos marcos mais citados é a prisão dos Cavaleiros Templários, ocorrida em uma sexta-feira, 13 de outubro de 1307, por ordem do rei Filipe IV da França. O episódio terminou em perseguições, julgamentos e execuções, alimentando a associação da data a tragédias.

No cristianismo, outro elemento reforça a superstição: na Última Ceia, descrita na Bíblia, estavam presentes 13 pessoas à mesa — sendo que Judas, considerado o traidor de Jesus, teria sido o 13º a se sentar. A sexta-feira também é tradicionalmente associada ao dia da crucificação.

Já na numerologia popular, o número 12 é visto como símbolo de completude (12 meses, 12 apóstolos, 12 signos). O 13, portanto, representaria a quebra dessa harmonia.

A combinação de sexta-feira com o número 13 teria se consolidado como símbolo de azar a partir da cultura europeia medieval.

Casos marcantes que alimentaram a lenda

 

Ao longo da história moderna, alguns episódios reforçaram a fama da data.

  • O acidente aéreo do voo 571 da Força Aérea Uruguaia, que caiu nos Andes em 13 de outubro de 1972.

  • A explosão da missão Apollo 13, da NASA, ocorrida em abril de 1970 — missão que, ironicamente, levava o número 13 e sofreu uma falha grave no espaço.

  • Quedas de bolsas de valores e episódios climáticos também já foram associados a sextas-feiras 13, embora sem relação comprovada com a data.

A ciência, claro, não reconhece qualquer influência mística. Psicólogos explicam que o fenômeno pode ser ligado ao chamado “viés de confirmação”: as pessoas tendem a lembrar dos fatos negativos ocorridos na data e ignorar os dias comuns.

E no Brasil? Azar mesmo é gato preto cruzando a rua?

No Brasil, a superstição ganhou força principalmente com a cultura popular e o cinema — especialmente a franquia de terror “Sexta-Feira 13”, que transformou a data em sinônimo de suspense.

Mas curiosamente, em algumas tradições, o 13 é considerado número de sorte. Em certos rituais de matriz africana, por exemplo, o número carrega significado positivo.

Ou seja: depende de quem interpreta.

Sexta-feira 13 na véspera de Carnaval: azar ou ironia perfeita?

Quando a data cai às portas do Carnaval, o contraste chama atenção.

De um lado, superstição. Do outro, festa, cor e alegria.

Para os foliões, azar mesmo seria a chuva cair no bloco. Para os supersticiosos, talvez seja melhor evitar decisões importantes, viagens arriscadas ou apostas altas.

Na prática, a combinação costuma render mais memes do que tragédias.

Afinal, é dia de sorte ou azar?

Estatisticamente, não há aumento comprovado de acidentes ou eventos negativos em sextas-feiras 13.

Mas a força cultural da data é inegável.

Entre histórias medievais, filmes de terror e coincidências históricas, a sexta-feira, 13 segue viva no imaginário popular — mais como símbolo cultural do que como ameaça real.

E na véspera do Carnaval?

Talvez seja apenas um lembrete de que superstição e festa fazem parte do mesmo repertório humano: um pouco de medo, um pouco de diversão.

No fim das contas, azar mesmo é perder o bloco por causa de crendice.