O Sistema Cantareira, principal manancial de captação e tratamento de água da Região Metropolitana de São Paulo, passou a operar oficialmente na chamada “faixa de alerta” a partir desta quarta-feira (1º). A mudança de estágio operacional foi determinada em conjunto pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pela agência reguladora estadual SP Águas.
A medida foi tomada após as medições oficiais de terça-feira (30) apontarem que o volume útil do reservatório recuou para 39,87%. O índice representa uma queda em relação ao fim de maio, quando o sistema operava com 40,52%, e reflete os efeitos iniciais do período de estiagem na região. Na comparação com junho do ano passado, quando o Cantareira registrava 47,33% de sua capacidade, houve uma retração de 18,7%.
Restrições de retirada e pressão na rede
Ao entrar na faixa operacional 3 (alerta), que engloba os níveis entre 30% e 40% de volume útil, entram em vigor novos limites de captação. Com a mudança, a Sabesp fica autorizada a retirar do sistema o teto máximo de até 27 metros cúbicos por segundo. Como alternativa técnica para compensar a redução, a companhia poderá utilizar o volume transportado do reservatório da Usina Hidrelétrica Jaguari, interligado à bacia do Rio Paraíba do Sul.
O novo status também permite que seja aplicada a Gestão de Demanda Noturna (GND). A medida consiste na redução da pressão da água nas tubulações de abastecimento por um período de até 10 horas durante a madrugada, horário em que o consumo residencial é historicamente menor. No entanto, para que a restrição de pressão seja efetivamente iniciada, os índices do Cantareira precisam se manter fixos na faixa de alerta por sete dias seguidos, o que ainda não se consolidou.
Consumo consciente
Em nota oficial, as agências reguladoras reforçam a necessidade de monitoramento rígido e fizeram um apelo aos consumidores. A ANA e a SP Águas destacaram que as medidas operacionais são fundamentais para conter perdas na rede e estimular o uso racional, orientando a população da Grande São Paulo a evitar desperdícios para preservar os estoques da Cantareira ao longo do período seco.
“A ANA e a SP Águas reforçam a importância da adoção de medidas operacionais de gestão da demanda no contexto dos serviços de abastecimento de água tanto para a redução do consumo de água e de perdas quanto para o estímulo ao uso racional do recurso pela população”, esclarecem as empresas.

