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SP prevê esplanada oriental na Liberdade

A Prefeitura de São Paulo pretende criar uma praça pública em uma laje entre quatro viadutos e acima da Radial Leste-Oeste, com 12 mil metros quadrados. A proposta envolve a implementação de um centro comercial, praça de exposições, centro de inovação e cultura e outras instalações, inspiradas na arquitetura japonesa. Em desenvolvimento, o projeto foi batizado de Esplanada Liberdade, no distrito homônimo do centro paulistano.

Segundo a gestão Ricardo Nunes (MDB), a ideia é criar "a maior esplanada de cultura oriental do mundo, com vocações culturais, comerciais, gastronômicas, de lazer, turismo e serviços". A ideia é potencializar o uso público e a atratividade turística do bairro, especialmente no trecho entre a Rua Conselheiro Furtado e a Avenida Liberdade. Há um entendimento de parte de comerciantes da região e da Prefeitura que o distrito precisa de mais espaços abertos para atender aos milhares de turistas que passam pelas vias da região nos fins de semana.

A proposta, porém, deve ter resistência de parte da população. Nos últimos anos, movimentos negros têm criticado um apagamento da identidade de outros povos que viveram no distrito em meio ao avanço de intervenções que destacam a ligação com a imigração japonesa, como a mudança de nome da estação de metrô para Japão-Liberdade, dentre outras.

Ainda não há datas oficiais para inauguração nem início das obras ou valor de implementação estimado. Um projeto referencial e novas contribuições técnicas com estudos de viabilidade e arquitetônicos serão selecionadas até 15 de janeiro, por meio de um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI). Os trabalhos serão remunerados em até R$ 3 milhões.

O objetivo da prefeitura é criar um novo cartão-postal, com arquitetura contemporânea de referências asiáticas, especialmente japonesas, com uma das novas construções no formato de origami. As referências apontadas são os premiados Toyo Ito e Kengo Kuma, que participou do projeto da Japan House, da Avenida Paulista.

"É um sonho antigo da região, de ter uma área ampla na região da Liberdade", disse ao <b>Estadão </b>o secretário municipal da Casa Civil, Fabricio Cobra. Segundo ele, trata-se de um demanda levada pelo setor privada à Prefeitura. "Falta um local amplo de convívio dentro da Liberdade, que se transforma na região de maior potencial turístico da cidade."

Questionado sobre o motivo do projeto destacar referências orientais em meio às críticas de apagamento da memória negra da Liberdade, Cobra citou o projeto do Memorial dos Aflitos, que será erguido junto à capela de mesmo nome, que tratará desse tema.

"A esplanada não tira essa característica. A cidade pode conviver com uma série de ações, manifestações culturais", afirmou. Ele citou o Bom Retiro como exemplo de bairro com um convívio multicultural harmonioso na cidade.

<b>Rampas e escadas</b>

Pelas características dos viadutos e da radial, a esplanada será diagonal, em que o ponto mais alto ficará a 20 metros do mais baixo. Rampas e escadas precisarão acompanhar o declive entre os vãos dos Viadutos Guilherme de Almeida, Cidade de Osaka, Mie Ken e Shuhei Uetsuka, que formarão três quadras (batizadas de "superior", "central" e "inferior").

A ideia é valorizar a vista e permitir que as escadarias possam ser utilizadas como arquibancadas. Está em estudo a inclusão na proposta de intervenções em espaços do entorno, como a Praça Almeida Júnior, a Praça da Liberdade e o futuro Memorial dos Aflitos.

Com foco no uso comercial, a quadra superior será entre a Avenida Liberdade e a Rua Galvão Bueno. A previsão é que tenha um centro comercial de 3 mil metros quadrados, com espaços para locação, e uma praça coberta elevada, com uma arquitetura inspirada nos origamis. A ideia é que esse trecho também receba exposições, intervenções artísticas em geral e feiras variadas.

Já a quadra central será voltada à gastronomia, entre as Ruas Galvão Bueno, que terá a calçada alargada, e da Glória. O conceito para esse trecho é incluir um espaço para contemplação da vista da Radial, como um mirante, e no desnível, implantar pontos gastronômicos, como restaurantes, casas de chá e bares, todos voltados à culinária asiática.

A quadra inferior, por fim, entre as Ruas da Glória e Conselheiro Furtado, será voltada a grandes eventos ao ar livre e atividades culturais. As apresentações serão concentradas em uma nova construção, pensada para se tornar o principal símbolo da esplanada, com referências da arquitetura oriental contemporânea.

O edifício deve ser um polo de cultura, tecnologia e inovação, com área de exposição, coworking e outros espaços. A área externa vai comportar até 9 mil pessoas, porém, pela declividade, as apresentações também poderão ser vistas dos níveis superiores.

Professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, Ana Barone afirma que o tipo de proposta construção da esplanada, para "expandir o solo", têm ganhado espaço em locais muito adensados. Por outro lado, podem gerar impactos negativos – a exemplo do que ocorreu na implementação do Minhocão.
As informações são do jornal <b>O Estado de S. Paulo.</b>

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