Estadão

Temor com juro alto nos EUA e guerra impedem alta do Ibovespa por minério de ferro

Nem mesmo a valorização de mais de 2,00% do minério de ferro na China anima o Ibovespa, dada a cautela dos mercados internacionais nesta terça-feira, 17. O petróleo sobe moderadamente, enquanto os rendimentos dos títulos americanos avançam com mais força. Os índices de ações do Ocidente, por sua vez, recuam, principalmente em Nova York.

"Apesar da alta do minério de ferro hoje na China, houve queda de 20% nos estoques no porto do país em 13 de outubro, atingindo o nível mais baixo desde outubro de 2016", observa Rafael Gamba, assessor da Blue3 Investimentos. No entanto, há pouco, as ações da Vale miravam alta e as da Petrobras aceleravam os ganhos, limitando o recuo do Ibovespa.

De todo modo, os movimentos dos mercados ainda espelham o compasso de espera dos investidores por novidades a respeito da guerra no Oriente Médio. Os investidores avaliam ainda alguns balanços divulgados mais cedo nos Estados Unidos, além de indicadores, com o intuito de afinar suas apostas para a política monetária americana.

Após uma pausa ontem, a postura defensiva dos agentes ganhou reforço há pouco, logo após a expansão acima da esperada da produção industrial americana e da abertura em queda das bolsas de Nova York. Antes, as vendas varejistas do país já indicaram uma atividade forte, colocando mais pressão sobre o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).

As vendas do varejo dos EUA subiram 0,7% em setembro ante agosto, superando a previsão de alta de 0,3%. Já a produção industrial avançou 0,3% no mesmo período, ante expectativa de queda de 0,1%.

"O Fed não olha só um dado para conduzir a política monetária. Então, será preciso ficar de olho em falas de dirigentes do banco central americano que ocorrerão hoje. Isso gera cautela", avalia Gabriel Mota, operador de renda variável da Manchester Investimentos.

Segundo Mota, a ideia de manutenção dos juros dos EUA no nível atual por mais tempo do que o imaginado, em boa medida, está dentro do preço, sendo já considerado pelo mercado. "Isso seria até saudável nesse momento. A questão é que há o conflito entre Israel e o Hamas, o que acaba pressionando mais", completa Mota, da Manchester Investimentos.

Ontem, acompanhando as bolsas de Nova York, o Ibovespa fechou em alta de 0,67%, aos 116.533,85 pontos, dado que até o momento não houve a esperada invasão por terra de forças israelenses em Gaza. Israel ainda não decidiu sobre o lançamento de uma invasão terrestre na Faixa de Gaza em resposta aos ataques de uma semana e meia atrás do Hamas.

Amanhã o presidente dos EUA, Joe Biden, visitará Israel e Jordânia, numa tentativa de evitar uma escalada do conflito na região.

Enquanto a atividade americana dá sinais de força, conforme mostraram as vendas do varejo de setembro, no Brasil está enfraquecida. O volume de serviços prestados caiu 0,90% em agosto ante julho. O resultado ficou abaixo do piso das estimativas (-0,80% a alta de 0,80%).

Ao mesmo tempo, a inflação acelerou, conforme o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10). A taxa ficou em 0,52% em outubro, após alta de 0,18% em setembro, superando o teto das projeções (0,51%).

Hoje após o fechamento da B3, a Vale vai divulgar seus dados de venda e produção do terceiro trimestre. Já a Petrobras informou na véspera que bateu recorde trimestral de produção operada de óleo e gás no terceiro trimestre deste ano, com marca de 3,98 milhões de barris de óleo equivalente (boe), alta de 7,8% ante o segundo trimestre. As ações da estatal subiam acima de 1,00%, enquanto as da Vale passavam a subir 0,30%. Hoje à noite, a China divulgará o PIB do terceiro trimestre e dados mensais do varejo e da indústria.

"O petróleo volta a subir, o que é bom para as ações da Petrobras, mas ao mesmo tempo indica que os investidores seguem cautelosos, atentos ao conflito entre Israel e o Hamas , diz Gamba, da Blu3 Investimentos.

Às 11h20, o Ibovespa caía 0,25%, aos 116.243,50 pontos, depois de recuar 0,83%, com mínima aos 115.563,93 pontos.

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