Economia

Taxas longas de juros fecham em queda moderada com menor risco político e dólar

Os juros futuros de longo prazo encerraram a sessão regular desta segunda-feira, 31, em baixa moderada e os demais vértices, com taxas perto dos ajustes anteriores. Os contratos com vencimento posterior a 2020 passaram a manhã de lado, mas a melhora de percepção de risco político imprimiu sinal de baixa para este trecho da curva à tarde, com o mercado otimista sobre a permanência do presidente Michel Temer no cargo após a votação da denúncia contra ele na Câmara, na próxima quarta-feira, 2.

O forte recuo do dólar ante o real, abaixo dos R$ 3,12, também contribuiu para o alívio nos prêmios. Os vencimentos curtos e intermediários pouco oscilaram, refletindo a agenda sem destaques e a espera pela divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta terça-feira, dia 1º.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2018 (167.040 contratos) fechou estável em 8,265% e a do DI para janeiro de 2019 (224.690 contratos) encerrou em 8,10%, de 8,09% no último ajuste. A taxa do DI para janeiro de 2020 (117.525 contratos) terminou em 8,71%, de 8,73%. A taxa do DI para janeiro de 2021 (196.615 contratos) caiu de 9,32% para 9,28%.

“O mercado está começando a precificar que Temer vai ficar e também tivemos o dólar mais fraco”, disse o estrategista de renda fixa da Coinvalores, Paulo Nepomuceno. “Olhando para os DIs, mercado acredita na permanência dele, o que daria chance maior para as reformas avançarem”, completou.

Temer passou os últimos dias articulando junto aos parlamentares para evitar que a denúncia contra si seja aceita. O Congresso volta à ativa amanhã e na quarta-feira está marcada a votação. A própria oposição admite não ter os 342 votos necessários para aprovar a denúncia e mudou sua estratégia. O deputado Sílvio Costa (PTdoB-PE) fez um apelo para que os colegas não marquem presença na sessão da próxima quarta-feira para inviabilizar a votação.

O dólar renovou seguidas mínimas na última hora, em linha com a tendência externa e também reagindo a fatores locais. Os investidores receberam bem as falas do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de que no momento a meta fiscal (de déficit de R$ 139 bilhões) será seguida e que haverá aumento de impostos se for necessário.

Contribuiu ainda para as mínimas a queda de 1,77% do risco Brasil medido pelo contrato de swap de default de crédito (CDS, na sigla em inglês), para 210,329 pontos. No exterior, o dólar perde força com a notícia de que Anthony Scaramucci, diretor de comunicação da Casa Branca, saiu do governo dos EUA. Além disso, o petróleo inverteu a queda e passou a subir.

Às 16h26 desta segunda-feira, o dólar à vista cedia 0,50%, aos R$ 3,1184, depois de atingir a mínima de R$ 3,1159.

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