Desde o dia 1º de janeiro de 2026, passageiros que dependem dos serviços de micro-ônibus e vans que faziam o reforço das linhas intermunicipais entre Guarulhos e São Paulo enfrentam grandes dificuldades de deslocamento após a suspensão da Reserva Técnica Operacional (RTO), que até então complementava o transporte entre as duas cidades. A mudança atende a decisão judicial do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou o fim da RTO por irregularidades no modelo de concessão.
O sistema conhecido como RTO — Reserva Técnica Operacional era responsável por micro-ônibus e vans que atuavam como reforço nas linhas da região metropolitana, principalmente nos horários de pico, para ajudar a cumprir os horários e reduzir a superlotação. Esses veículos operavam em conjunto com os ônibus metropolitanos sob gestão da antiga EMTU e agora regulados pela Artesp — Agência de Transporte do Estado de São Paulo.
Por determinação judicial — em ação movida por empresas do setor — o STF entendeu que o modelo não foi contratado por meio de licitação pública, o que o torna irregular no sistema de transporte metropolitano, e deu prazo até o fim de 2025 para sua extinção. A partir de 1º de janeiro de 2026, a RTO deixou de operar definitivamente.
Problemas enfrentados pelos usuários
Moradores de Guarulhos que se deslocam diariamente para São Paulo relatam que, com a retirada dos micro-ônibus e vans da RTO, os ônibus do Consórcio Internorte — responsáveis pelas linhas intermunicipais — “não estão dando conta da demanda”, principalmente nos horários de pico no Terminal Armênia.
Usuários publicaram relatos e vídeos nas redes sociais mostrando longas filas, tempo de espera elevado e superlotação nos coletivos como consequência da ausência dos reforços que antes eram garantidos pela RTO.
Protestos no Terminal Armênia
Nos últimos dois dias, trabalhadores que operavam os micro-ônibus retirados da operação realizaram protestos no entorno do Terminal Armênia, ponto de conexão importante para quem viaja entre Guarulhos e a capital. Faixas, buzinaços e bloqueios temporários marcaram a manifestação de motoristas e cobradores que reivindicam esclarecimentos sobre suas funções e criticam a transição sem uma solução alternativa clara para os passageiros.
Apesar dos protestos e das queixas dos usuários, a Secretaria de Parcerias e Investimentos (SPI) do Governo do Estado afirmou que o fim da RTO “não afetou o atendimento à população”, segundo nota enviada à imprensa — declaração que contrasta com a experiência de muitos passageiros que dependem diariamente do transporte para trabalhar ou estudar em São Paulo.
Impactos no dia a dia
O fim da RTO tem gerado:
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Expectativa de mais tempo de espera e lotação nos ônibus metropolitanos;
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Reclamações de usuários sobre falta de veículos suficientes nos horários de pico;
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Pressão sobre o Consórcio Internorte e a Artesp para ajustar a oferta de ônibus regulares.
Especialistas em mobilidade urbana apontam que, sem um reforço de frota compatível com a demanda, passageiros enfrentam maior dificuldade de deslocamento, especialmente quem faz rotas longas até a capital e precisa conciliar horários de trabalho e estudos com um transporte coletivo eficiente.


