A operação contou ainda com a colaboração do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e de órgãos internacionais, entre eles o Grupo de Resposta e Inteligência Aduaneira do Uruguai (GRIA) e a Unidade de Vigilância de Portos e Aeroportos da Polícia Nacional do Uruguai, reforçando a articulação entre países signatários da Cites no combate ao tráfico de fauna e flora silvestres.
Até o momento, a fiscalização encontrou na bagagem dos viajantes mais de uma centena de cactos e cerca de duas mil sementes, todos originários do Rio Grande do Sul. O material estava ocultado em malas, escondido dentro de latas de bebidas e até nos sapatos de um dos turistas, além de diversos sacos de papel contendo sementes, distribuídos entre as bagagens. O transporte irregular de espécies da flora nativa brasileira, especialmente aquelas com relevância para a conservação, configura infração ambiental e pode caracterizar crime contra o patrimônio natural.
Espécies protegidas por acordo internacional
Praticamente todas as espécies da família Cactaceae estão listadas no Anexo II da Cites, com algumas incluídas no Anexo I, que reúne espécies sob maior risco de extinção. As espécies do Anexo II não estão necessariamente ameaçadas, mas podem vir a estar caso o comércio não seja devidamente controlado.
O comércio internacional dessas espécies somente é permitido mediante licença de exportação ou certificado de reexportação, emitidos quando a autoridade ambiental nacional tem segurança de que a atividade não será prejudicial à conservação da espécie. A convenção também inclui espécies semelhantes que possam ser confundidas com aquelas listadas por razões de proteção.
Rio Grande do Sul: hotspot de cactáceas ameaçadas
O Brasil abriga um dos maiores centros de biodiversidade de cactáceas do mundo, atrás apenas do México, do sul dos Estados Unidos e da região andina. Das 227 espécies registradas no país, cerca de 30% ocorrem no Rio Grande do Sul, com destaque para as diferentes fitofisionomias do bioma Pampa, que concentram espécies endêmicas e ameaçadas de extinção.
Com aproximadamente 70 espécies, o estado é considerado um importante centro de endemismo, especialmente dos gêneros Frailea e Parodia. Os afloramentos rochosos do Pampa gaúcho são reconhecidos como um dos principais hotspots de conservação de cactáceas no Brasil. Atualmente, 52 espécies que ocorrem no Rio Grande do Sul são classificadas como ameaçadas de extinção, sendo 12 exclusivas do Pampa gaúcho e outras 14 endêmicas da região pampeana que abrange áreas do Brasil e do Uruguai.
Cooperação internacional contra o tráfico de espécies
A apreensão evidencia a importância da cooperação internacional entre os países membros da CITES no enfrentamento ao tráfico de fauna e flora silvestres, uma das principais ameaças à biodiversidade. A atuação integrada entre Ibama, PF, ICMBio e autoridades uruguaias permitiu identificar a tentativa de transporte ilegal ainda no ponto de saída do país, evitando danos irreversíveis ao patrimônio natural brasileiro.
O material apreendido será submetido à avaliação técnica, e os envolvidos responderão administrativa e criminalmente, conforme a legislação ambiental vigente.



