O Censo Escolar 2025, divulgado pelo Ministério da Educação, mostra que Guarulhos tinha 302.759 estudantes matriculados na Educação Básica (de creches ao Ensino Médio). O número representa 27.038 alunos a menos em relação a 2015 uma queda de 8,2% em dez anos, acompanhando tendência nacional. No Brasil, o país perdeu mais de um milhão de alunos na Educação Básica apenas entre 2024 e 2025.
Transição demográfica e menos repetência explicam queda
Especialistas apontam dois principais fatores para a redução nas matrículas: a transição demográfica com famílias tendo menos filhos e a diminuição dos índices de repetência, o que reduz o tempo de permanência dos estudantes nas escolas.
Ao portal R7, Ivan Gontijo, gerente de Políticas Educacionais do movimento Todos Pela Educação, destacou que a redução pode representar uma oportunidade. Segundo ele, com menos alunos, aumenta a verba disponível por estudante, o que pode favorecer investimentos mais eficazes em aprendizagem, desde que haja decisões estratégicas.
Quase um quarto da população está na Educação Básica
Em 2025, aproximadamente 23% da população estimada de Guarulhos (1.349.100 habitantes) estava matriculada na Educação Básica — quase um quarto da cidade.
Do total de estudantes:
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125.590 (41,8%) estavam em creches ou escolas municipais;
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82.776 (27,3%) em escolas estaduais;
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92.832 (30,7%) em escolas privadas;
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561 (0,2%) em escolas federais.
Os números reforçam o papel central da Prefeitura e do Estado na formação da maioria dos jovens guarulhenses.
Cresce proporção de alunos na rede privada
A queda nas matrículas variou entre as redes.
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Na rede estadual, a redução foi de 17,9% em dez anos (de 154.247 matrículas em 2015 para 126.590 em 2025).
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Na rede municipal, a queda foi de 10,7%.
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Já na rede privada houve crescimento de 16,2% (de 71.224 para 82.776 matrículas).
O dado indica aumento proporcional de estudantes optando pelo ensino particular no período.

Professores: mais formação, mas queda na pós-graduação
O número total de professores cresceu levemente: eram 13.737 em 2015 e passaram para 14.449 em 2025 (+5,18%).
A proporção de docentes com Licenciatura aumentou de 79% para 87,9% no período — avanço importante na qualificação. No entanto, o índice já foi maior: em 2023, 94,1% tinham formação superior específica.
Em 2025, 1.380 professores possuíam apenas Ensino Médio ou formação inferior, o maior número da década. Além disso, a porcentagem de docentes com pós-graduação caiu de 43,9% para 37,4%.
Por outro lado, houve melhora no indicador de “esforço por docente” — que mede situações de sobrecarga extrema. Em 2015, 2,1% dos professores atuavam em condições mais exigentes (mais de 400 alunos, três turnos e múltiplas escolas). Em 2025, o índice caiu para 1%.
Infraestrutura: avanços e lacunas
Na rede pública (municipal, estadual e federal), a infraestrutura apresenta avanços, mas ainda há desigualdades entre etapas de ensino.
Biblioteca ou sala de leitura:
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60,7% nas escolas dos Anos Iniciais;
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92,8% nos Anos Finais;
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94,5% no Ensino Médio.
Laboratórios de Ciências:
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3% nos Anos Iniciais;
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40% nos Anos Finais;
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45,9% no Ensino Médio.
Internet disponível para estudantes:
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86,3% nos Anos Iniciais;
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94,4% nos Anos Finais;
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95,4% no Ensino Médio.

Quadra de esportes:
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73,8% nos Anos Iniciais;
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97,6% nos Anos Finais;
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99,1% no Ensino Médio.
Já os indicadores de acessibilidade ainda são baixos nos primeiros anos: banheiro adaptado para pessoas com deficiência está presente em apenas 17,9% das escolas dos Anos Iniciais. Nos Anos Finais o índice é 67,2% e no Ensino Médio, 69,7%.
Auditórios também são raros: 4,2% nas escolas dos Anos Iniciais, 10,4% nos Anos Finais e 12,8% no Ensino Médio.
Desafios e oportunidade histórica
Os dados mostram que, embora haja redução no número de matrículas, a cidade enfrenta desafios estruturais importantes, especialmente na formação continuada de professores e na infraestrutura dos primeiros anos da Educação Básica.
Especialistas apontam que o atual cenário demográfico pode representar uma janela estratégica para melhorar a qualidade do ensino público, caso os recursos sejam aplicados em políticas educacionais eficientes.



