Farmacêuticos e práticos de farmácia da rede municipal de Guarulhos realizaram, na manhã desta terça-feira (17), uma paralisação que interrompeu temporariamente o funcionamento de farmácias em diversas Unidades Básicas de Saúde (UBS), sob a gestão do prefeito Lucas Sanches (PL).
O ato, promovido pelo sindicato da categoria em conjunto com uma comissão de trabalhadores, ocorreu entre 9h e 12h e teve como objetivo denunciar a desvalorização profissional, além de reivindicar melhores condições de trabalho e cumprimento de direitos.
Mobilização organizada e adesão em diferentes regiões
A paralisação foi articulada previamente e contou com adesão significativa de profissionais em várias regiões da cidade. Durante o período, farmácias permaneceram fechadas.
Marinópolis
Seródio
Lavras
Nova Bonsucesso
Soberana
Bananal
Álamo
Santa Paula
PA Bonsucesso
Bambi
Continental
Parque Alvorada
Parque Jandaia
Marcos Freire
Acácio
Vila Rio
Paulista
Piratininga
Cumbica 1
Cumbica 2
A paralisação foi parcial e concentrada no período da manhã por volta da 9h até 12h, com retorno das atividades previsto para o início da tarde.
Reivindicações apontam para sobrecarga e falta de valorização
Segundo os organizadores, o protesto foi motivado por uma série de problemas estruturais enfrentados pelos profissionais da área farmacêutica na rede municipal. Entre os principais pontos levantados estão:
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Baixos salários, considerados incompatíveis com a responsabilidade técnica da função
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Déficit de profissionais, o que gera acúmulo de tarefas e sobrecarga de trabalho
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Falta de reposição de equipes e ausência de políticas de valorização
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Restrição ao acesso a direitos como licenças-prêmio (LPS), férias e abonos previstos no artigo 115
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Estrutura de cargos considerada desigual e injusta
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Denúncias de assédio moral e perseguições no ambiente de trabalho
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Alegações de descumprimento de legislações trabalhistas por parte da gestão
De acordo com a categoria, a soma desses fatores compromete não apenas a saúde dos trabalhadores, mas também a qualidade do atendimento prestado à população.

Impactos no atendimento e na população
Com o fechamento temporário das farmácias nas UBS, pacientes que dependem da rede pública para retirada de medicamentos enfrentaram dificuldades durante o período da paralisação.
A distribuição de remédios especialmente aqueles de uso contínuo, como para hipertensão, diabetes e outras doenças crônicas — foi interrompida nas unidades que aderiram ao movimento, o que pode ter gerado filas, remarcações e necessidade de retorno em outro horário.
Apesar disso, os organizadores destacaram que a paralisação foi planejada de forma a minimizar prejuízos maiores, concentrando-se em um intervalo específico do dia.
Sindicato esclarece que não se trata de greve
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (STAP), Rogério Oliveira, reforçou que a mobilização desta terça-feira não configura uma greve.
Segundo ele, trata-se de um ato pontual de protesto para dar visibilidade às demandas da categoria. O dirigente também desmentiu informações que circulavam online sobre uma possível greve marcada para o dia 18 de março.
“Essa proposta não foi discutida nem com a comissão nem com o sindicato”, afirmou.
Categoria cobra diálogo com a gestão municipal
Além de denunciar problemas, os trabalhadores reivindicam a abertura de diálogo com a administração municipal para discutir soluções concretas. Entre as demandas estão a reestruturação do plano de cargos, revisão salarial, contratação de novos profissionais e garantia de direitos trabalhistas.
A comissão organizadora destaca que, sem avanços nas negociações, novas mobilizações não estão descartadas.
Cenário evidencia fragilidades na saúde pública local
A paralisação expõe um cenário mais amplo de desafios enfrentados pela saúde pública municipal. O setor farmacêutico, responsável pela dispensação de medicamentos e orientação aos pacientes, é considerado peça-chave no funcionamento das UBS.
A falta de investimento e valorização desses profissionais, segundo a categoria, impacta diretamente o funcionamento do sistema de saúde e a continuidade dos tratamentos oferecidos à população.



