Política

STF fixa limite para “penduricalhos” e estabelece regras nacionais para salários no Judiciário

Plenário do Supremo Tribunal Federal — Foto: Luiz Silveira/STF
Plenário do Supremo Tribunal Federal — Foto: Luiz Silveira/STF
STF define limite de 35% para penduricalhos de juízes e promotores e cria regras nacionais para conter supersalários e aumentar transparência.

O Supremo Tribunal Federal (STF) definiu novas regras para o pagamento de benefícios adicionais – conhecidos como “penduricalhos” – a juízes e membros do Ministério Público em todo o país. A decisão estabelece que esses valores extras não poderão ultrapassar 35% do teto constitucional, hoje vinculado ao salário dos ministros da própria Corte.

A medida tem como objetivo uniformizar critérios e conter distorções salariais dentro do serviço público, especialmente casos em que remunerações ultrapassavam o limite legal por meio de adicionais.

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Mudanças práticas

Com a decisão, o STF não extingue os benefícios, mas passa a regularizar quais podem ser pagos e em que condições. Entre os adicionais permitidos estão verbas de caráter indenizatório ou previstas em lei, como compensações por acúmulo de funções, férias não usufruídas e gratificações por tempo de serviço.

Por outro lado, a Corte vetou o pagamento de auxílios considerados irregulares ou sem respaldo legal claro, como benefícios genéricos de alimentação, moradia e transporte se não enquadrados nas novas diretrizes.

Regras têm validade nacional

A decisão tem alcance nacional e deverá ser seguida por tribunais, promotorias e demais órgãos ligados ao sistema de Justiça. Além disso, o STF determinou que os pagamentos devem ser feitos com maior transparência, exigindo a divulgação de tempos em tempos, dos valores recebidos. Outro ponto importante é que novos benefícios só poderão ser criados por meio de legislação específica ou com aval da própria Corte, evitando a criação de vantagens sem padronização.

Combate aos supersalários

A iniciativa ocorre em meio a pressões por maior controle dos chamados “supersalários” no setor público. Segundo os ministros, a definição de limites e critérios mais claros busca equilibrar a remuneração e garantir respeito ao teto constitucional. Especialistas apontam que a medida pode reduzir gastos e trazer maior previsibilidade às contas públicas, embora ainda permita a manutenção de adicionais considerados legais.

Com isso, o STF tenta estabelecer um meio-termo entre preservar direitos previstos em lei, porém, restringindo excessos que vinham sendo alvo de críticas recorrentes.