Cidades

Dois meses após início das aulas, alunos da Prefeitura seguem sem receber uniformes no 2º ano de Lucas

Pais denunciam falta de uniformes na rede municipal de Guarulhos mais de dois meses após início do ano letivo, apesar da promessa do prefeito Lucas Sanches de fazer a entrega a partir do primeiro dia. No ano passado, não houve a entrega

Mais de dois meses já se passaram desde o início das aulas na rede municipal de ensino em Guarulhos. E até hoje, pais de alunos das escolas da Prefeitura criticam a falta de uniformes escolares, que ainda não foram entregues.  No início do ano, o prefeito Lucas Sanches (PL) publicou um vídeo prometendo a distribuição dos materiais a partir do primeiro dia do ano letivo, depois de deixar de entregar no ano passado, o que não ocorria na cidade há mais de 20 anos, desde que a distribuição passou a ser obrigatória.

No entanto, a promessa não foi cumprida, e diversas escolas seguem sem fornecer os uniformes aos estudantes. No primeiro dia, Lucas chegou a postar que iria concluir as entregas até o final de março, o que também não ocorreu. Diante de uma série de criticas, o post foi apagado pela equipe do prefeito, que nunca mais se manifestou sobre o assunto.

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O GWEB recebe diariamente uma série de reclamações. Nesta semana, a reportagem foi à  EPG Prof. Zulma Castanheira de Oliveira, no Parque Cecap, para verificar de perto a situação. No local, pais de alunos relataram que a falta de uniformes não é recente: segundo eles, os estudantes não recebem as peças já há dois anos.

Diante da ausência de distribuição, muitas famílias afirmam não ter alternativa a não ser adaptar o que já possuem. Alunos têm frequentado as aulas com uniformes antigos, que foram distribuídos até 2024 pela gestão do ex-prefeito Guti (PSD). Muitos já estão curtos ou desgastados. Outra alternativa é utilizar roupas comuns, fora do padrão escolar.

“Não recebemos nada, nem uniformes, nem mochila, nem tênis, nada. E eu não sei como vou fazer, e essas camisetas estão todas desgastadas porque eles estão usando já fazem dois anos.”, relatou uma das mães ouvidas, que não quis se identificar.

Alunos são obrigados a usar uniformes desgastados e antigos.
Alunos são obrigados a usar uniformes desgastados e antigos.

Viviane Muniz, uma das mães presentes no EPG Professora Zulma, relatou ao GWEB  a dificuldade enfrentada com a falta dos uniformes: “Meu filho não recebeu nenhum uniforme nesse ano e nem no ano passado. É muito ruim, ele tem que usar as roupas que usaria para sair e quando elas ficam gastas temos que comprar novas, por conta de algo que é de direito dele e não foi entregue.”

Indiara, mãe também presente no local, manifestou sua insatisfação: “Foi dito que os uniformes seriam entregues no primeiro dia de aula e até agora nada.” Ao ser questionada sobre prazos para a entrega, ela revelou “nenhuma data foi passada para a gente até agora, só falaram que nós temos que esperar.”

Outras mães relataram que os uniformes entregues há dois anos já não servem mais em seus filhos, e a alternativa restante é ir para a escola com roupas comuns.

Diversos alunos utilizam roupas de passeio para frequentar a escola.

O caso não é isolado

Além da situação verificada no Parque Cecap, o GWEB também recebeu denúncias de pais de alunos de outras escolas da rede municipal de Guarulhos que enfrentam a mesma situação. Responsáveis por estudantes da EPG Chico Mendes, da EPG Ofélia Echeverri Lopes e do Instituto Guadalupe relataram a falta de uniformes. Segundo os depoimentos, a situação se repete em diferentes regiões da cidade, indicando que a falha na distribuição é mais ampla do que casos pontuais.

Em algumas unidades, os alunos receberam apenas parte dos uniformes, faltando algumas peças. Em nenhuma escola foi registrada a entrega das mochilas, item que faz parte dos uniformes. Há ainda relatos sobre alunos que, mesmo encaminhando no ano passado as medidas corretas, receberam roupas com tamanhos errados. Nestes casos, as trocas nunca foram realizadas.

O GWEB procurou a Prefeitura de Guarulhos para obter um posicionamento sobre a falta de uniformes e um eventual prazo para a regularização da entrega. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.