O Governo do Estado de São Paulo ampliou a atuação das Casas Terapêuticas como parte da estratégia de assistência social voltada à recuperação de pessoas em situação de rua e dependência química. A iniciativa integra o conjunto de ações que resultou no esvaziamento da chamada Cracolândia, na região central da capital paulista, há um ano.
Criadas em 2023, as Casas Terapêuticas acolhem pessoas com transtornos causados pelo uso de substâncias psicoativas e oferecem acompanhamento multidisciplinar focado na reinserção social, educação, trabalho e autonomia financeira.
Serviço atua em quatro etapas de recuperação
O modelo das Casas Terapêuticas é dividido em quatro fases:
- Acolher;
- Despertar;
- Transformar;
- Caminhar.
Durante o processo, os acolhidos recebem suporte psicológico, orientação social e encaminhamento para oportunidades de estudo e emprego. O período de permanência pode chegar a até dois anos.
Desde janeiro de 2023, segundo o governo estadual, 1.368 pessoas já passaram pelo programa.
Estrutura conta com 14 complexos e 630 vagas
Atualmente, o estado possui 14 complexos de Casas Terapêuticas instalados em municípios como Guarulhos, Osasco, São Paulo e São José do Rio Preto, totalizando 630 vagas.
Há previsão de expansão para cidades como:
- São Vicente;
- Marília;
- Santo André;
- Ribeirão Preto.
O investimento do governo estadual no programa já ultrapassa R$ 62,7 milhões.
Casas Terapêuticas são consideradas “porta de saída”
Enquanto equipamentos como o Hub de Cuidados ao Crack e Outras Drogas atuam no atendimento emergencial, as Casas Terapêuticas são consideradas a etapa final de reinserção social.
Os acolhidos aprendem atividades do cotidiano, recebem orientação financeira e retomam vínculos sociais e familiares.
Segundo a coordenação das unidades, muitos moradores chegam após anos em situação de rua e sem referências básicas de rotina ou convivência social.
Programa atua de forma integrada com saúde e assistência social
O acesso às Casas Terapêuticas pode ocorrer por meio de:
- Caps e Caps AD;
- Rede de assistência social;
- Unidades de saúde;
- Hub de Cuidados ao Crack e Outras Drogas.
Após o encerramento do acolhimento, os participantes continuam sendo acompanhados pelas equipes técnicas para prevenção de recaídas.
Governo relaciona programa ao fim da Cracolândia
Segundo o governo estadual, o conjunto de ações integradas envolvendo segurança pública, saúde, assistência social e requalificação urbana contribuiu para o fim das cenas abertas de uso de drogas na região central da capital.
A desocupação definitiva da Rua dos Protestantes, em maio de 2025, foi apontada pelo estado como marco simbólico do encerramento da Cracolândia enquanto problema estrutural.



