Uma linha de investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo conseguiu interligar a execução de um empresário chinês, ocorrida no final do ano passado, a uma rede de tráfico internacional de metanfetamina de alto valor no mercado nacional. O trabalho estratégico resultou, ao todo, na prisão de cinco pessoas diretamente envolvidas na morte da vítima e de outros cinco suspeitos que gerenciavam o comércio do entorpecente sintético.
Os primeiros passos da apuração começaram logo após o assassinato, em novembro de 2025. No início deste ano, três suspeitos de envolvimento no homicídio foram capturados de forma temporária. A partir da análise dos celulares e documentos apreendidos com esse primeiro grupo, os agentes do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) conseguiram identificar mais dois envolvidos na morte e mapear a atividade paralela da quadrilha.
Conexão internacional e prisões no Centro
Os policiais constataram que um dos mandantes do crime utilizava o mercado de moedas e comércios da área central para camuflar um esquema de venda de metanfetamina, substância química conhecida popularmente como “cristal”. A droga, que possui produção complexa e alto custo financeiro, tinha como público-alvo principal estrangeiros residentes na capital paulista.
De acordo com as informações oficiais do DHPP, o núcleo da organização criminosa contava com a liderança de dois estrangeiros: um responsável pela logística de distribuição de cargas e outro apontado pelo setor de inteligência como o braço violento do grupo, encarregado de cobranças e ameaças.
Nesta terça-feira, dia 9 de junho, a operação policial deflagrou uma nova fase com o cumprimento de mandados de busca e apreensão na região central. A ação resultou na prisão em flagrante de duas mulheres estrangeiras que guardavam porções de metanfetamina pura, insumos químicos para o preparo do entorpecente e maços de dinheiro em espécie.
Histórico de combate à droga sintética
A desarticulação dessa ramificação se soma a outros golpes recentes desferidos pelas forças de segurança contra o comércio ilegal desse estimulante químico no território paulista. Nos últimos meses, o monitoramento integrado de segurança auxiliou na captura de suspeitos vinculados a cartéis de fora do país e laboratórios clandestinos operando em bairros nobres, como a Bela Vista.
As investigações prosseguem agora com o objetivo de identificar os fornecedores da matéria-prima utilizada no laboratório do grupo e detalhar se o homicídio do empresário foi motivado por dívidas de negócios ou disputas de território pelo controle do tráfico na região da Cracolândia e adjacências.


