O estelionato se tornou o principal crime patrimonial registrado no Brasil, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026. Em 2025, foram contabilizadas mais de 2,2 milhões de ocorrências, considerando os casos de estelionato tradicional e digital. O número representa um crescimento de 429,8% em relação a 2018.
O avanço dos crimes digitais também influencia a sensação de segurança da população. De acordo com o levantamento, 83,2% dos brasileiros afirmam ter medo de serem vítimas de uma fraude pela internet ou pelo celular. Entre os golpes mais comuns relatados pelos brasileiros estão a clonagem ou troca de cartão, mencionada por 45% dos entrevistados, seguida pelo golpe do WhatsApp, com 34%, e pela falsa central bancária, com 31%. O golpe do Pix aparece em 24% dos relatos, enquanto o uso indevido do CPF por SMS foi citado por 13% e os golpes envolvendo leilões ou lojas falsas, por 10%.
Os dados são de pesquisa realizada pelo IPESPE a pedido do Observatório Febraban.
Engenharia social facilita aplicação dos golpes
Grande parte dos golpes utiliza técnicas de engenharia social, estratégia que explora a confiança e o comportamento das vítimas para induzi-las a fornecer informações ou realizar determinadas ações.
Os criminosos podem tentar convencer as pessoas a revelar dados pessoais e bancários, instalar aplicativos, entregar cartões, informar códigos de autenticação ou realizar transferências de dinheiro.
Com o avanço da tecnologia e das ferramentas de inteligência artificial, especialistas também alertam para o uso crescente de recursos digitais na elaboração de abordagens mais convincentes, que podem dificultar a identificação de tentativas de fraude.
São Paulo lidera registros
A análise dos dados por unidade da Federação aponta diferenças na distribuição das ocorrências. São Paulo aparece com a maior taxa do país, com 1.808,3 registros, seguido pelo Distrito Federal, com 1.717.
Na sequência aparecem Paraná (1.339,1), Rondônia (1.329,6), Santa Catarina (1.294,8), Espírito Santo (1.254,7) e Goiás (1.075,6). Esses estados apresentam taxas superiores a 1.000 registros.
Segundo o levantamento, a concentração de registros pode estar relacionada ao grau de bancarização, digitalização e integração da população ao sistema financeiro formal. Estados mais urbanizados e conectados digitalmente, como São Paulo e o Distrito Federal, aparecem entre aqueles com as maiores taxas. O cenário reforça a necessidade de atenção ao uso de aplicativos de mensagens, redes sociais e serviços bancários digitais. A recomendação geral é evitar compartilhar senhas e códigos de autenticação, desconfiar de contatos inesperados e confirmar diretamente com instituições financeiras qualquer solicitação de transferência ou informação pessoal.


