Os roubos de alianças tiveram queda de 12,5% na cidade de São Paulo nos primeiros cinco meses de 2026. De janeiro a maio, foram contabilizadas 2.192 ocorrências, contra 2.505 registradas no mesmo período do ano passado, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP).
A redução ocorre em meio ao reforço do policiamento em áreas com maior concentração desse tipo de crime e ao avanço das investigações contra receptadores. A Polícia Civil tem buscado atingir principalmente a estrutura responsável por comprar, derreter e revender ouro e joias de procedência criminosa. A estratégia mira a parte econômica do crime: ao dificultar a comercialização das peças roubadas, as forças de segurança tentam reduzir o retorno financeiro das quadrilhas e, consequentemente, o incentivo para novas abordagens.
“O combate ao roubo de alianças passa pelo enfrentamento da receptação. Nossas ações priorizam tanto a prisão dos autores dos roubos quanto a identificação de toda a cadeia que financia esse mercado ilegal. Atacar a receptação é reduzir a motivação econômica do crime e ampliar a proteção da população”, afirmou o secretário da Segurança Pública do Estado, Osvaldo Nico Gonçalves.
Operação apreendeu milhões em ouro e joias
Um dos principais resultados recentes ocorreu em maio, durante a Operação Ouro Reverso, conduzida pela 3ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Fraudes Financeiras do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
A investigação levou à prisão de um dos principais negociadores de ouro e joias roubadas que atuavam na capital. Segundo a polícia, ele fazia parte de uma organização responsável por adquirir materiais provenientes de crimes e abastecer o mercado clandestino. Durante a operação, foram apreendidos aproximadamente R$ 2,7 milhões em ouro e joias, além de R$ 157 mil em dinheiro. Três estabelecimentos utilizados para derreter metais preciosos também tiveram os respectivos CNPJs cassados.
As investigações apontaram ainda uma ligação entre o negociador e uma mulher presa em fevereiro de 2025, na Zona Sul da capital. Ela era investigada por financiar grupos especializados em roubos de joias e celulares.
Investigados receberam penas de sete anos
O trabalho policial teve novos desdobramentos na Justiça. O negociador e três comerciantes foram condenados por organização criminosa e receptação qualificada, em crimes investigados entre 2020 e 2025.
Os quatro receberam penas de sete anos de reclusão, em regime inicial fechado. Para o delegado Fernando David, responsável pela investigação, o objetivo foi alcançar não apenas os autores dos roubos, mas também os responsáveis por fazer os objetos retornarem ao mercado.
“O foco da investigação foi desarticular a cadeia que mantém esse tipo de crime. Além de identificar quem praticava os roubos, conseguimos chegar aos intermediários e aos comerciantes responsáveis por receber, transformar e reinserir essas joias no mercado”, afirmou.
Polícia também recuperou alianças em outras operações
Outras ações recentes contribuíram para combater os roubos e a receptação de joias na capital.
Policiais do 16º Distrito Policial (Vila Clementino) prenderam um homem investigado por roubos de alianças e celulares na Zona Oeste. Já equipes do 92º Distrito Policial (Parque Santo Antônio) esclareceram cinco roubos de alianças após prenderem quatro suspeitos em flagrante. De acordo com as investigações, o grupo utilizava motocicletas para abordar as vítimas.
Em junho, a Operação Contrafeixe, realizada pelo Deic, recuperou 42 alianças durante uma investigação contra um esquema de receptação de celulares e outros objetos roubados.
Policiamento é reforçado nas áreas de maior ocorrência
Enquanto a Polícia Civil concentra esforços na investigação e desarticulação das quadrilhas, a Polícia Militar mantém o patrulhamento ostensivo e preventivo na capital.
O emprego do efetivo é direcionado por análises criminais, permitindo reforçar a presença policial em locais com maior incidência de ocorrências e ampliar a capacidade de resposta. A SSP também destaca a importância de registrar cada ocorrência. Os boletins ajudam as autoridades a identificar padrões utilizados pelos criminosos, apoiar as investigações e orientar o planejamento das ações policiais.
O registro pode ser feito presencialmente em qualquer unidade da Polícia Civil ou pela Delegacia Digital.


