A Sala de Situação sobre o El Niño realizou sua terceira reunião de acompanhamento para atualizar cenários climáticos e definir ações preventivas regionais diante dos impactos previstos para os próximos meses no país. A estratégia, coordenada pela Casa Civil da Presidência da República em articulação com órgãos federais, estados e municípios, visa adaptar o plano de resposta aos riscos específicos de cada território.
As projeções consideram cenários diferenciados de norte a sul do Brasil: estiagem e seca severa no Norte e Nordeste, chuvas volumosas e concentradas no Sul, além de altas temperaturas e ondas de calor nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
No âmbito das ações prévias, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil já concluiu oficinas de capacitação em dez estados dentro do Plano Nacional de Enfrentamento à Estiagem Amazônica e Pantanal. O objetivo é alinhar protocolos de emergência com gestores municipais e estaduais para agilizar o socorro às populações afetadas.
Diagnóstico climático e ações setoriais
De acordo com análises do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), as águas do Oceano Pacífico permanecem com temperaturas acima da média. Para o Sul, dados de curto prazo indicam acumulados de chuva que podem atingir até 200 milímetros em um intervalo de sete dias.
Diante do diagnóstico, diferentes ministérios e secretarias alinharam medidas preventivas para neutralizar os impactos mais severos do fenômeno:
-
Abastecimento e Segurança Alimentar: Em áreas sujeitas à estiagem e ao isolamento de comunidades, como populações ribeirinhas, indígenas e quilombolas, serão acionados instrumentos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
-
Energia e Logística: Antecipação de estoques de combustíveis e planejamento de corredores de transporte em regiões onde a redução do nível dos rios compromete a navegabilidade.
-
Saúde Pública: Monitoramento do aumento de arboviroses (dengue, zika e chikungunya) facilitadas pelo clima extremo, além da descentralização de bases da Força Nacional do SUS em Manaus, Belém e Porto Velho para rápido envio de kits de insumos médicos e atendimento nos distritos sanitários indígenas.
A partir do mapeamento, as equipes federais manterão diálogo contínuo com os governos estaduais e prefeituras para atualizar planos locais de prevenção e resposta.


