Aranhas, escorpiões e serpentes estão entre os principais animais peçonhentos envolvidos em acidentes atendidos pelos serviços de saúde. Em caso de picada, a recomendação das autoridades é não recorrer a métodos caseiros e procurar atendimento médico o quanto antes, mesmo quando a espécie responsável pelo acidente não foi identificada. São Paulo conta com 242 Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno (PESAs) preparados para atender pessoas vítimas de envenenamento. A relação das unidades pode ser consultada no mapa disponibilizado pela Secretaria de Estado da Saúde. A orientação geral para acidentes é lavar o local com água e sabão, manter a vítima em repouso e buscar atendimento. Não devem ser feitos cortes, perfurações ou torniquetes, nem aplicadas substâncias sobre a região atingida.
Aranhas: poucas espécies oferecem maior risco
Embora existam milhares de espécies de aranhas no Brasil, três gêneros são considerados de importância médica: Latrodectus, conhecido pela viúva-negra; Phoneutria, que inclui a aranha-armadeira; e Loxosceles, a aranha-marrom. A maioria das picadas não provoca consequências graves, mas casos que apresentam dor intensa, inchaço, vermelhidão ou uma lesão que piora precisam de avaliação profissional. A aranha-armadeira costuma ser encontrada em plantações e também pode aparecer em ambientes urbanos, inclusive dentro de casas. Já a aranha-marrom prefere locais escuros e protegidos, como móveis, roupas, calçados e roupas de cama.
No caso da aranha-marrom, a lesão pode inicialmente parecer uma picada comum e evoluir ao longo das horas. Entre os sinais estão dor crescente e alterações na coloração da pele. Em situações graves, podem ocorrer necrose e alterações relacionadas à destruição das células do sangue. Sempre que for possível sem colocar a própria segurança em risco, uma fotografia nítida do animal pode ajudar na identificação pelos profissionais de saúde. A recomendação, porém, é não tentar capturá-lo quando isso representar perigo.
Escorpiões estão cada vez mais presentes nas cidades
Os escorpiões encontraram nas áreas urbanas condições favoráveis para sobreviver, como oferta de alimento, água e esconderijos. Eles podem entrar em imóveis por ralos, tubulações, calhas e aberturas em caixas de fiação. Em São Paulo, entre as espécies de maior relevância estão o escorpião-amarelo, o escorpião-marrom e o escorpião-amarelo-do-nordeste. O escorpião-amarelo é considerado responsável pelos acidentes de maior gravidade e pode provocar casos que evoluem para óbito.
Encontrou um escorpião?
A orientação das autoridades de saúde é não tentar capturar o animal caso a pessoa não tenha segurança ou equipamento adequado. Quando não for possível realizar a retirada com segurança, a recomendação é procurar a prefeitura ou os serviços municipais responsáveis pelo controle de animais peçonhentos. Também é importante evitar o uso de inseticidas e outros produtos químicos para eliminar escorpiões, já que a aplicação inadequada pode representar risco à saúde.
O que fazer ao encontrar uma cobra
As serpentes podem aparecer em áreas urbanas principalmente durante períodos chuvosos, quando inundações alteram o ambiente em que vivem e fazem com que procurem locais mais secos. Ao encontrar uma cobra, a principal orientação é não tocar no animal. O ideal é manter distância e acionar órgãos preparados para fazer a retirada com segurança, como Polícia Ambiental, Corpo de Bombeiros, Centro de Controle de Zoonoses ou Secretaria Municipal de Saúde. Se a serpente estiver dentro de uma residência e houver risco imediato, a recomendação é buscar um local seguro e solicitar ajuda especializada.
Como reconhecer algumas serpentes peçonhentas
Identificar a espécie pode auxiliar os profissionais de saúde na definição do tratamento, mas a população não deve se aproximar do animal para tentar confirmar sua identificação. A cascavel é encontrada principalmente em áreas secas e abertas. Uma de suas características mais conhecidas é o chocalho na extremidade da cauda. As jararacas são responsáveis por grande parte dos acidentes ofídicos no país. A camuflagem e a adaptação a diferentes ambientes podem dificultar a identificação. Já as corais apresentam coloração bastante característica e, apesar de serem altamente peçonhentas, os acidentes são menos frequentes. A orientação é não tentar distinguir uma coral verdadeira de uma falsa apenas pela disposição das cores, já que espécies não peçonhentas podem apresentar padrões semelhantes.
A surucucu, maior serpente peçonhenta das Américas, pode ultrapassar quatro metros de comprimento e costuma viver em áreas de mata.
Fui picado. O que fazer?
Em qualquer acidente envolvendo animal peçonhento, o primeiro cuidado é lavar a região com água e sabão e procurar atendimento médico imediatamente. A vítima deve evitar caminhar ou fazer esforço desnecessário. Sempre que possível, deve permanecer em repouso enquanto é encaminhada a um serviço de saúde. Também não é recomendado colocar folhas, pó de café, couro de cobra, álcool ou qualquer outra substância sobre o ferimento. Torniquetes, cortes e perfurações também devem ser evitados, pois podem aumentar o risco de complicações, infecções e necrose. O tratamento específico para envenenamentos graves é feito com soro antiveneno, definido de acordo com o animal responsável pelo acidente. Quanto mais rápido o atendimento e a aplicação do tratamento indicado, menores podem ser os riscos de complicações.
Onde buscar atendimento em São Paulo
A Secretaria de Estado da Saúde mantém um mapa com os 242 Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno distribuídos pelo território paulista.
Também existem hospitais de referência para esse tipo de ocorrência. Em São Paulo, um dos serviços especializados é o Hospital Vital Brazil, do Instituto Butantan, localizado na capital.
Serviço
Mapa dos Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno:
https://nies.saude.sp.gov.br/ses/publico/soro
Atendimento e hospitais de referência em São Paulo:
https://cievs.saude.sp.gov.br/soro/
Orientação: em caso de picada ou suspeita de envenenamento, procure atendimento médico imediatamente.


