Ernesto Zanon – @ernesto_zanon
O mercado de SUVs grandes de sete lugares mudou bastante nos últimos anos. Se antes a escolha ficava praticamente restrita a modelos como Toyota SW4 e Chevrolet Trailblazer, hoje o consumidor encontra alternativas muito mais sofisticadas — e, principalmente, uma nova geração de concorrentes chineses que combina motores eletrificados, muita tecnologia e preços agressivos.

É nesse cenário que o Jeep Commander Blackhawk aparece para esta avaliação do Carro Express. E ele chega com uma proposta bastante clara: continuar sendo um SUV grande, robusto, familiar e capaz de enfrentar terrenos difíceis, mas acrescentando uma dose generosa de desempenho. E agora com motorização flex.

A principal novidade está debaixo do capô. O antigo Hurricane a gasolina deu lugar ao 2.0 turbo flex de 272 cv e 40,8 kgfm de torque, associado ao câmbio automático de nove marchas e à tração integral. O conjunto permite acelerar de 0 a 100 km/h em cerca de 7 segundos. E aqui está um dos grandes argumentos do Commander Blackhawk: ele não é apenas um SUV grande com aparência aventureira. É 4×4 de verdade.

Existe uma diferença enorme entre um SUV com aparência off-road e um veículo efetivamente preparado para sair do asfalto. No Blackhawk, a Jeep utiliza o sistema Active Drive Low, com tração integral, seletor de terrenos, controle de descida e recursos específicos para condução fora de estrada. O sistema também está associado às chamadas Off-Road Pages, que mostram informações sobre o funcionamento do veículo.
Ou seja: não é simplesmente um carro que distribui torque para as quatro rodas para ajudar em uma estrada molhada. É um conjunto que permite ao Commander enfrentar terra, lama, aclives e situações de baixa aderência com muito mais segurança. Não significa, evidentemente, que ele seja um Wrangler. O Commander continua sendo um SUV de uso familiar, com construção monobloco e foco muito maior em conforto e estrada do que em trilhas extremas. Mas, dentro da proposta, há capacidade off-road de verdade.

Já quando falamos do motor, Commander Blackhawk realmente impressiona. São 272 cv e 40,8 kgfm, números que colocam o SUV em outro patamar quando comparado às versões convencionais do próprio Commander. A potência aparece de maneira bastante contundente nas acelerações e principalmente nas retomadas.

E existe uma vantagem interessante na transformação do Hurricane em flex: o proprietário deixa de ficar restrito à gasolina. A Jeep manteve praticamente intacta a receita de desempenho, mas acrescentou a possibilidade de abastecimento com etanol.

O resultado é um SUV de sete lugares capaz de entregar desempenho de carro muito menor. O problema? Não espere economia. A própria ficha técnica aponta consumo na casa de 8 km/l na cidade e 10,3 km/l na estrada com gasolina. É o preço a pagar pelos 272 cv, pelo peso do veículo e pela tração integral.
Sete lugares de verdade

Esse é outro ponto forte. O Commander não usa a terceira fileira apenas como recurso de emergência. São sete lugares e, quando a última fileira está rebatida, o porta-malas chega a 661 litros. Com os sete assentos em posição, são cerca de 233 litros. Ou seja, ainda tem espaço para levar alguma coisa ali, comparável com o espaço oferecido em um hatch compacto.

Para uma família que realmente precisa transportar seis ou sete pessoas eventualmente, isso faz diferença. E o interior continua sendo um dos pontos fortes do Commander: acabamento sofisticado, boa posição de dirigir e uma cabine que tenta entregar a sensação de um SUV premium sem necessariamente cobrar o preço de alguns concorrentes desse segmento.

Se existe uma característica que mudou completamente o segmento nos últimos anos é a quantidade de equipamentos. E o Commander Blackhawk não fica devendo. O SUV oferece ADAS nível 2, com recursos como frenagem autônoma de emergência, alerta e correção de faixa, piloto automático adaptativo, monitoramento de ponto cego, reconhecimento de placas e detector de fadiga.

Há ainda câmera 360°, teto solar panorâmico, bancos elétricos, porta-malas elétrico, rodas de 19 polegadas e sistema multimídia de 10,1 polegadas, entre outros equipamentos. Na versão Blackhawk, a Jeep acrescenta ainda elementos específicos de acabamento, pinças de freio vermelhas, rodas escurecidas, logos pretos e as Performance Pages, que mostram dados como pressão da turbina, força G, potência e torque.
E chegamos ao preço

Aqui começa a parte mais complicada da avaliação. O preço sugerido do Commander Blackhawk Hurricane Flex é de R$ 329.990. A Jeep reduziu o preço da versão em relação ao modelo anterior, justamente para torná-la mais competitiva. E ele fica numa posição interessante.
O Commander Overland turbodiesel custa R$ 319.990, enquanto o Blackhawk acrescenta cerca de R$ 10 mil para entregar o Hurricane de 272 cv. Ou seja: para quem não precisa necessariamente de diesel e quer desempenho, o Blackhawk começa a fazer bastante sentido dentro da própria família Commander. Mas quando abrimos a porta para os concorrentes, a conversa muda.

O consumidor que tem R$ 330 mil para gastar já começa a olhar para SUVs chineses híbridos e plug-in que oferecem potência elevada, sistemas eletrificados, grande quantidade de tecnologia e, em alguns casos, possibilidade de rodar parte do tempo usando apenas eletricidade. Aí surge a maior ameaça ao Commander. Mas é bom ficar claro que o Jeep oferece bastante coisa e desempenho por um valor mais de R$ 100 mil menor que o Toyota SW4.

