A automedicação para aliviar sintomas de gripe pode prolongar o desconforto e aumentar o risco de complicações, principalmente entre pessoas idosas. Segundo a coordenadora do Pronto-Socorro do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), Raquel Moreira, o uso de medicamentos sem acompanhamento médico por mais de uma semana pode mascarar sinais de agravamento do quadro. Sintomas como febre baixa, prostração, coriza e dor de garganta costumam ser tratados com medicamentos sintomáticos. No entanto, quando permanecem por vários dias ou se intensificam, podem indicar a necessidade de uma avaliação médica.
Entre os possíveis problemas associados à evolução de uma síndrome gripal estão infecções bacterianas secundárias, como pneumonia, sinusite e bronquite aguda. O risco é maior entre pacientes que já apresentam doenças crônicas ou outras condições de saúde.
Idosos exigem atenção maior
De acordo com a médica, o envelhecimento pode deixar o sistema imunológico mais vulnerável, enquanto doenças preexistentes e tratamentos contínuos podem aumentar os riscos durante uma infecção respiratória. Idosos com asma, diabetes e doenças renais crônicas, por exemplo, precisam ter atenção especial ao uso de medicamentos, principalmente anti-inflamatórios. O consumo excessivo ou inadequado desses remédios pode contribuir para a descompensação de doenças de base. Outro risco é o medicamento reduzir temporariamente a intensidade dos sintomas sem tratar a causa do problema. Dessa forma, sinais como febre persistente e prostração intensa podem acabar sendo percebidos somente quando a infecção já evoluiu.
Avaliação médica é indicada após sete dias
Raquel Moreira orienta que medicamentos utilizados para controlar sintomas gripais não sejam mantidos por período superior a sete dias sem avaliação profissional. Além das infecções virais, mudanças bruscas de temperatura e exposição a fatores alérgenos também podem agravar doenças respiratórias já existentes. A médica ressalta que, principalmente entre os idosos, a persistência ou piora dos sintomas deve ser acompanhada por um profissional de saúde. A avaliação pode identificar se o quadro continua sendo uma infecção viral ou se houve o surgimento de uma complicação que exige outro tipo de tratamento.
Como evitar a piora dos sintomas
Durante períodos de temperaturas mais baixas, algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco de agravamento de doenças respiratórias. Entre as recomendações estão:
- evitar ambientes fechados e com aglomeração;
- manter-se bem agasalhado;
- beber água regularmente;
- manter uma alimentação adequada;
- garantir períodos suficientes de descanso;
- procurar atendimento médico quando os sintomas persistirem ou se agravarem.
A recomendação é evitar o uso prolongado de medicamentos por conta própria. Em especial para idosos e pessoas com doenças crônicas, a orientação profissional é importante para avaliar os sintomas e definir o tratamento adequado.


