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Após eleições, Lucas Sanches apresenta projeto que descongela e aumenta o IPTU em Guarulhos

Proposta enviada à Câmara prevê recomposição gradual dos valores de referência do imposto a partir de 2027; mudança pode elevar o valor pago pelos contribuintes, conforme a faixa do imóvel

O prefeito de Guarulhos, Lucas Sanches (PL), encaminhou à Câmara Municipal, em outubro de 2026, um projeto de lei que prevê a recomposição gradual dos valores de referência utilizados na cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). A proposta, que institui o programa IPTU em Dia, terá efeitos previstos a partir de 2027 e pode aumentar o valor efetivamente pago pelos proprietários de imóveis.

O projeto de lei chegou à Câmara Municipal nesta terça-feira, dia 13, 9 dias após as eleições em primeiro turno. Na justificativa, ele pede que o PL tramite em regime de urgência.

O texto aponta que Lucas pretende recompor a defasagem acumulada desde 2017, quando o ex-prefeito Guti (PSD) iniciou o congelamento que durou suas duas gestões até o ano de 2025 e acabou repetido pelo atual prefeito neste ano de 2026. Estabelece uma metodologia para recuperar gradualmente os valores de referência, sem transferir toda a diferença histórica aos contribuintes de uma só vez. No entanto, os aumentos começam a ser praticados já em 2027 e devem ser progressivos ao longo dos próximos anos.

Mesmo quem paga em dia não ficará sem reajuste, como ocorreu durante os oito anos que o ex-prefeito Guti manteve congelado, entre 2017 e 2024. Os bons pagadores terão a garantia de que o imposto não subirá, por causa da recomposição, mais do que o percentual da faixa dele, que ficará entre 10% e 15%, índices acima da inflação. Mas diante de qualquer atraso, perde todo o benefício.

Como funciona a proposta de mudança no IPTU

O projeto estabelece três faixas de recomposição, definidas pelo valor de lançamento do imóvel:

Faixa Valor de lançamento Percentual de recomposição
Faixa I Até 5.000 UFGs  (R$ 23.609,00) 10%
Faixa II Acima de 5.000 até 10.000 UFGs (Acima de R$ 23.609,00 até R$ 47.218,00) 12,5%
Faixa III Acima de 10.000 UFGs (Acima de R$ 47.218,00) 15%

Os percentuais incidem sobre a diferença entre a Unidade Fiscal de Guarulhos (UFG) vigente em cada exercício e o valor histórico de referência de 2017, fixado em R$ 3,1093. A metodologia considera a faixa de enquadramento de cada imóvel.

A partir de 2028, a recomposição deverá considerar o valor de referência aplicável no exercício anterior, acrescido de uma parcela da diferença histórica. O mecanismo será aplicado até que o valor de referência alcance a UFG vigente. Ou seja, haverá valores a mais a pagar em todos os anos.

Projeto prevê desconto para pagamento em dia

O texto institui o programa IPTU em Dia para dar continuidade aos descontos destinados aos contribuintes que pagarem o imposto dentro do prazo. Também prevê desconto adicional de 10% para quem optar pelo pagamento em parcela única, observadas as condições e o calendário fiscal. Mas aplica um percentual mínimo de recomposição conforme a tabela acima.

A proposta estabelece ainda que os mecanismos transitórios de proteção não serão aplicados a novas inscrições imobiliárias constituídas a partir de 2027, incluindo novas edificações, loteamentos e desmembramentos. Esses imóveis ficarão sujeitos às regras tributárias vigentes em cada exercício.

Prefeitura quer recuperar defasagem acumulada 

A administração municipal sustenta que a mudança não altera a base de cálculo do imposto e está relacionada à recomposição gradual dos valores utilizados na aplicação dos descontos. Segundo a justificativa oficial, o objetivo é recuperar a defasagem histórica sem transferir integralmente o impacto aos contribuintes em um único exercício, mas ao longo dos próximos anos.

Quanto o IPTU pode aumentar em Guarulhos?

O impacto no carnê dependerá da aplicação da fórmula prevista no projeto, da faixa de enquadramento do imóvel e dos descontos incidentes sobre o imposto.

O documento apresentado pelo prefeito não inclui simulações individualizadas que permitam afirmar que os carnês terão aumento superior a 50%, nem comprova que a variação será necessariamente superior à inflação. Para estabelecer esses percentuais, é preciso comparar os valores efetivamente pagos em 2026 com os projetados para 2027 e os exercícios seguintes.

A proposta prevê efeitos a partir de 1º de janeiro de 2027, observadas as regras constitucionais aplicáveis. O projeto ainda depende da tramitação e da deliberação da Câmara Municipal para se tornar lei.