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“Cadeira Vazia” transforma símbolo de ausência em alerta contra o feminicídio

“Cadeira Vazia” transforma símbolo de ausência em alerta (Foto-Reprodução)
“Cadeira Vazia” transforma símbolo de ausência em alerta (Foto-Reprodução)
Projeto Cadeira Vazia, da UNG, foi apresentado no Summit Mulheres nas Profissões como símbolo das mulheres vítimas de feminicídio

Uma cadeira vermelha vazia chamou a atenção de participantes do Summit Mulheres nas Profissões, realizado nos dias 4 e 5 de maio, no Expo Center Norte, em São Paulo. O objeto faz parte do projeto “Cadeira Vazia”, iniciativa da Universidade Guarulhos (UNG) que utiliza a ausência de uma estudante em uma sala de aula como símbolo das mulheres que tiveram suas vidas interrompidas pelo feminicídio.

A ação foi levada ao evento pela UNG e pela Companhia Ser Educacional, em parceria com o Instituto Êxito de Empreendedorismo e o Grupo Mulheres do Brasil. A cadeira esteve presente nas arenas de debates e também próxima ao Violômetro, instalação que apresenta diferentes formas de violência contra a mulher. A proposta parte de uma realidade que ultrapassa os números de feminicídio. Para a universidade, cada cadeira vazia representa uma mulher que poderia ter ingressado ou concluído uma graduação, desenvolvido uma carreira e realizado projetos pessoais e profissionais, mas teve sua trajetória interrompida pela violência.

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O projeto já integra espaços de ensino da UNG e de outras instituições de Ensino Superior da Ser Educacional. Nas salas de aula, uma cadeira vermelha permanece vazia para provocar uma reflexão cotidiana entre estudantes e professores sobre a violência contra a mulher.

Durante o Summit, a iniciativa ganhou um espaço diante de um público formado por estudantes, empreendedoras, executivas, artistas, autoridades e profissionais de diferentes áreas. O reitor da UNG, Yuri Neiman, destacou que a ação também está relacionada ao direito de acesso à educação e à construção de uma trajetória profissional.

Segundo ele, o projeto lembra que muitas mulheres não tiveram a oportunidade de iniciar ou terminar uma formação universitária porque suas vidas foram interrompidas pelo feminicídio. A primeira edição do Summit Mulheres nas Profissões reuniu mais de 15 mil pessoas no primeiro dia e teve como foco a discussão de caminhos para ampliar a participação feminina em cargos de liderança até 2030. A iniciativa foi idealizada por Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza. Durante a abertura, ela defendeu a ampliação da presença das mulheres nos principais postos de gestão das empresas.

A programação reuniu nomes de diferentes áreas para discutir carreira, empreendedorismo, educação e participação feminina no mercado de trabalho. Entre as palestrantes do primeiro dia esteve a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia, que abordou a violência de gênero e apresentou dados relacionados às mortes de mulheres provocadas por parceiros e familiares. A ministra também defendeu a união em torno do direito à vida e do combate à violência contra as mulheres.

A campeã olímpica de ginástica artística Daiane dos Santos também conheceu o projeto durante o evento e comentou o impacto visual da cadeira vermelha. Para a atleta, o objeto representa de maneira simbólica a dimensão das vidas perdidas para o feminicídio e ajuda a provocar uma reflexão coletiva sobre o problema.

A proposta da “Cadeira Vazia” é justamente utilizar um elemento presente no cotidiano universitário para lembrar que, por trás das estatísticas de violência, existem trajetórias interrompidas e sonhos que deixaram de ser realizados.

Projeto busca manter o debate dentro das universidades

Além da participação em eventos, a iniciativa mantém a cadeira vermelha nas salas de aula da UNG e de outras instituições de Ensino Superior da Ser Educacional.

A ação transforma um espaço normalmente ocupado por uma estudante em um lembrete permanente sobre o feminicídio e a violência contra a mulher.

Ao levar a “Cadeira Vazia” para um encontro dedicado à carreira e à liderança feminina, a universidade amplia a mensagem do projeto: discutir a presença das mulheres no mercado de trabalho também significa defender o direito de elas permanecerem vivas, estudarem, construírem suas carreiras e ocuparem os espaços que desejarem.