Estadão

Com NY, Ibovespa sobe 0,56%, aos 113,5 mil pontos, na véspera de Powell

Mesmo com moderada realização de lucros em Petrobras (ON -1,01%, PN -1,07%) em dia de recuo para o petróleo, o desempenho de Vale (ON +1,94%) e dos grandes bancos (BB ON +2,38%, máxima do dia no fechamento; Itaú PN +1,24%) assegurou mais um leve avanço para o Ibovespa, em semana de fluxo acomodado pela expectativa em torno de Jerome Powell, presidente do BC norte-americano, que falará nesta sexta-feira no simpósio de Jackson Hole. Enquanto o mundo aguarda sinais sobre os juros dos Estados Unidos, o Ibovespa subiu nesta quinta-feira 0,56%, a 113.531,72 pontos, entre mínima de 112.768,19 e máxima de 114.156,20, saindo de abertura aos 112.897,84 pontos.

Na semana, a referência da B3 ganha 1,83%, colocando a alta do mês a 10,05% e a do ano a 8,31%. O giro financeiro ficou em R$ 23,8 bilhões na sessão.

"A Bolsa tem mostrado recuperação mesmo sem ajuda da Vale, negociada ainda abaixo de R$ 70 no ano, ON ainda cede 3,27%. Tem havido fluxo para a B3 e, com o S&P 500 no nível em que está, ainda há como atrair recursos, com os descontos que ainda se tem por aqui. Mas o Ibovespa tem estado mais lateralizado nessas últimas sessões, à espera também do que Powell dirá em Jackson Hole. Existe expectativa para uma narrativa mais<i> hawkish </i>, dura, do Fed o BC americano", diz Erminio Lucci, CEO da BGC Liquidez. "A inflação mostrou moderação recentemente nos Estados Unidos, mas o mercado de trabalho está muito ajustado, com taxa de desemprego bem baixa, em nível pré-pandemia, e crescimento real da renda salarial", acrescenta.

Assim, com foco total no cenário externo, o noticiário doméstico segue em segundo plano, mesmo nesta semana de entrevistas dos candidatos à presidência em horário nobre da <i>TV Globo</i> – nesta quinta-feira, a expectativa era para o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no JN. "A volatilidade que se antecipava para o período eleitoral ainda não veio, ao contrário de outros anos. O externo tem ditado, muito mais do que o doméstico. Não há ainda muita clareza, indicação sobre a economia, e é provável que se venha a ter isso apenas depois de outubro. O mercado então aguarda, não tem como colocar no preço agora", observa Lucci.

Além da expectativa para Powell na sexta, os investidores puderam acompanhar nesta quinta a segunda leitura sobre o PIB dos Estados Unidos no segundo trimestre, em retração anualizada de 0,6% ante estimativa inicial, um mês atrás, de contração de 0,9%.

Aqui, "os juros futuros subiram por toda a curva, e o dólar teve dia indefinido, porém demonstrando alguma pressão compradora abaixo dos R$ 5,11, o que indica certa cautela dos investidores", aponta Leandro De Checchi, analista da Clear Corretora, destacando o desempenho de ações como Vale e Banco do Brasil para que o Ibovespa encerrasse o dia no positivo. No fechamento do câmbio, o dólar à vista ficou em R$ 5,1121, praticamente estável (+0,02%), entre mínima de R$ 5,0869 e máxima de R$ 5,1429 nesta quinta-feira.

Após indecisão no começo da tarde, quando oscilou pontualmente para o negativo, o Ibovespa conseguiu se firmar em alta e retomar o nível de 113 mil pontos, mantido também no fechamento, acompanhando a alguma distância a melhora de humor em Nova York, onde os ganhos chegaram a 1,67% (Nasdaq) no encerramento do dia.

Na ponta positiva do índice da B3, destaque nesta quinta para Alpargatas (+10,06%), Azul (+5,62%), Gol (+5,49%), Petz (+5,00%), Natura (+4,00%) e Magazine Luiza (também +4,00%), com Energisa (-2,77%), Eletrobras PNB (-1,78%) e Cemig (-1,71%) puxando o lado oposto. Com avanço entre 19% e 21% até aqui no mês, e superior a 74% no ano – bem à frente de outras blue chips e do próprio Ibovespa -, Petrobras ON e PN tiveram leve realização de lucros no fechamento, após terem acentuado perdas acima de 2% no começo da tarde, levando então o índice a transitar para o negativo.

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