Estadão

Crise na Ucrânia: Alemanha, França e Polônia defendem unidade para preservar paz

Alemanha, França e Polônia estão unidas em seu objetivo de preservar a paz na Europa, disse o chanceler alemão, Olaf Scholz, que recebeu nesta terça-feira, 8, os presidentes francês, Emmanuel Macron, e polonês, Andrzej Duda, para falar sobre a crise ucraniana.

A manutenção da paz deve se fazer pela diplomacia e por meio de mensagens claras, segundo. "Assim como da vontade comum de agir juntos", disse o chanceler durante entrevista coletiva antes de um jantar de trabalho com o chefe de Estado francês e o presidente polonês. Scholz retornou de uma viagem a Washington na segunda-feira e Macron, de Moscou e Kiev, nesta terça-feira.

Os três respectivos países ocupam atualmente as presidências rotativas da União Europeia (França), do G-7 (Alemanha) e Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE, Polônia). "Nossa avaliação da situação na Ucrânia é idêntica", disse Scholz, acrescentando que trata-se de um encontro de relevância especial em um momento muito difícil.

Macron destacou o diálogo com Moscou como a única maneira de resolver o conflito. "Deve ser um diálogo exigente, visando evitar qualquer risco de escalada", disse. Mais cedo, em Kiev, o francês afirmou ter conseguido, durante sua reunião na véspera com Vladimir Putin, a garantia de que "não haverá degradação ou escalada" na crise ucraniana, mas o Kremlin nega que tal promessa tenha sido feita.

Scholz reiterou, por sua vez, que qualquer ataque à integridade territorial ucraniana terá uma resposta "contundente", em termos de sanções econômicas e políticas, embora sem especificar seu alcance. Scholz está sob pressão para se posicionar sobre a Rússia.

Duda destacou a necessidade de proteger a integridade da Ucrânia, país que, ainda que não seja um membro da União Europeia ou da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), precisa de todo o apoio do continente."Ainda é possível evitar uma guerra."

A reunião de trabalho em Berlim nesta terça-feira faz parte da engrenagem diplomática empregada em diferentes níveis pelos líderes ocidentais, na forma de viagens paralelas entre a Europa e os Estados Unidos, sempre de olho em Moscou.

Scholz voltava de sua primeira viagem desde que se tornou chanceler a Washington, onde ouviu do presidente dos EUA, Joe Biden, frases de unidade e coesão, mas também o aviso de que se houver uma invasão russa da Ucrânia, o gasoduto Nord-Stream 2 não funcionará.

O chanceler alemão até agora evitou dar uma resposta clara à questão de incluir o gasoduto no "alto preço" que, como ele assegurou repetidamente, a Rússia pagará no caso de uma nova agressão à integridade territorial da Ucrânia.

Por parte do governo de Berlim, apenas a ministra das Relações Exteriores, a verde Annalena Baernock, vinculou explicitamente o Nord-Stream II a possíveis sanções, no caso de uma invasão russa.

Dinamismo francês
O chanceler alemão foi criticado tanto em seu país quanto por seus principais aliados por sua ambiguidade ou indiferença em relação à Rússia. Na próxima semana, ele terá uma reunião com o presidente Vladimir Putin em Moscou.

Macron, por outro lado, desempenhou o papel mais dinâmico dentro do tradicional eixo franco-alemão. A sua chegada a Berlim ocorreu depois de ter protagonizado ontem um encontro midiático com Putin. Antes de viajar hoje para Berlim, teve outro encontro com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenski.

O objetivo do presidente francês – que representa junto ao chanceler alemão a defesa do canal diplomático – é conseguir algum tipo de avanço para reativar o chamado Formato Normandia.

Ou seja, o diálogo entre a Rússia e a Ucrânia, patrocinado pelo eixo franco-alemão, que até agora pouco conseguiu na crise atual pouco mais do que reuniões preparatórias em nível consultivo. A próxima está marcada para o próximo dia 10 na capital alemã, observou Macron.

O encontro entre Macron, Scholz e Duda faz parte do chamado Triângulo de Weimar, uma iniciativa da Alemanha, França e Polônia na qual os três países abordam questões de cooperação desde 1991.

Diante da crise na Ucrânia há divergências, principalmente no que diz respeito à Polônia, que exige dos aliados ocidentais uma postura mais firme em relação à Rússia.

Varsóvia procura o efeito de dissuasão, por meio do aumento da presença militar da Otan na região. Berlim é alvo de críticas por sua recusa em enviar armas para a Ucrânia, ao que se soma sua ambiguidade em relação ao Nord Stream 2, já concluído, mas ainda não operacional, objeto de permanente controvérsia.

Cerca de 55% do gás consumido na Alemanha é de origem russa. O Nord Stream 2 complementa o já operacional Nord Stream 1, que transporta gás russo para a Alemanha pelo Báltico sem tocar em solo ucraniano.(Com agências internacionais)