Estadão

Digam que a eleição foi fraudada, disse Trump após derrota em 2020

A comissão do Congresso americano que investiga o ataque ao Capitólio, em 6 de janeiro do ano passado, divulgou ontem novos indícios de que o então presidente Donald Trump pressionou o Departamento de Justiça para alterar o resultado da eleição de 2020, vencida pelo democrata Joe Biden.

Em um deles, Trump escreveu um bilhete endereçado ao vice-secretário de Justiça, Richard Donoghue. "Digam que a eleição foi fraudada e deixem o resto comigo e com os republicanos no Congresso."

Os depoimentos de ontem, que reuniram ex-funcionários do Departamento de Justiça e da Casa Branca, revelaram que parte da cúpula do departamento – que equivale ao Ministério da Justiça no Brasil – resistiu aos apelos, ameaçando com um pedido de demissão em massa.

Diante da resistência, Trump cogitou trocar a cúpula do Departamento de Justiça. Por meio de Scott Perry, um deputado republicano da Pensilvânia, a Casa Branca pensou em nomear o procurador-assistente Jeffrey Clark como secretário.

<b>PERDÃO</b>

"Rosen, já sabemos que você não vai fazer nada. Você nem mesmo concorda que houve fraude. Esse outro cara (Clark) pelo menos pode fazer alguma coisa", teria dito Trump, de acordo com o depoimento de Rosen.

A comissão também apresentou evidências de que pelo menos cinco deputados republicanos pediram perdão presidencial após o ataque de 6 de janeiro ao Capitólio para evitar uma possível ação criminal: Matt Gaetz, Mo Brooks, Andy Biggs, Louie Gohmert e Scott Perry.

Durante os depoimentos de ontem, as testemunhas disseram que as atitudes de Trump poderiam ter levado os EUA a uma grave crise constitucional, já que o presidente americano, mesmo informado que não havia um único indício de fraude na eleição, tentou intervir no Departamento de Justiça para se beneficiar politicamente.

Após dias de impasse, entre o fim de 2020 e os primeiros dias de janeiro, Trump desistiu do plano de usar o Departamento de Justiça para impedir a certificação da vitória de Biden. Três dias depois, em 6 de janeiro, o Capitólio foi invadido por centenas de apoiadores do presidente. (Com agências internacionais)

As informações são do jornal <b>O Estado de S. Paulo.</b>