Saúde

Hiperconectividade e uso contínuo da internet aumentam o risco de Burnout; saiba como se proteger

Vigilância contínua com mensagens e e-mails na internet impede o descanso do cérebro; veja os cuidados para evitar o esgotamento.

A dependência do mundo virtual e a necessidade de estar continuamente disponível nos meios da internet têm cobrado um preço alto para a saúde mental. A chamada hiperconectividade potencializa os efeitos do estresse crônico e acelera o desenvolvimento da Síndrome de Burnout, quadro de esgotamento físico e emocional fortemente relacionado às rotinas de trabalho modernas.

Profissionais expostos a altas demandas e jornadas flexíveis ou remotas, como trabalhadores da saúde, tecnologia, jornalismo e atendimento ao público, estão entre os mais vulneráveis. A facilidade de acessar ferramentas de trabalho a qualquer hora borra a linha que separa a vida profissional da pessoal, mantendo o organismo em um estado ininterrupto de alerta.

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O impacto da prontidão ininterrupta no cérebro

Segundo o psiquiatra Michel Haddad, do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), a exposição contínua às telas afeta diretamente o sono e a capacidade de recuperação do corpo.

“Quando permanecemos constantemente conectados, o cérebro não consegue entrar no estado de repouso. Estímulos como e-mails fora do expediente e mensagens em horários de descanso mantêm o sistema de alerta ativado, dificultando a separação entre trabalho e lazer”, explica o especialista.

Haddad ressalta ainda que a mera expectativa de receber uma notificação urgente aciona o sistema de antecipação do cérebro. Como esse estímulo é imprevisível, o indivíduo desenvolve um comportamento repetitivo de checagem. Essa prontidão constante impede que o organismo “desligue”, alimentando um ciclo contínuo de exaustão.

Mudanças práticas para evitar o esgotamento

Para romper com o ciclo da hiperconectividade e proteger a saúde mental, é fundamental adotar estratégias que restabeleçam as pausas e o descanso real ao longo do dia. Uma das primeiras medidas é desativar as notificações de aplicativos não essenciais, reduzindo os alertas. Além disso, criar horários livres de tela, especialmente na primeira e na última hora do dia, ajuda a preservar o bem-estar visual e mental.

A proteção da arquitetura do sono também passa por retirar o celular do quarto, substituindo-o por um despertador tradicional para evitar a tentação de checar mensagens no início ou no fim da noite. No ambiente profissional, estabelecer um horário definitivo para o encerramento do expediente e comunicá-lo com clareza a colegas e gestores alinha as expectativas do dia a dia. Por fim, vale adaptar o aparelho ajustando a tela para o modo “escala de cinza”, o que diminui o apelo visual das redes, e incluir pausas curtas e reais sem telas ao longo da jornada, como contemplar a janela ou fazer breves caminhadas.

Diagnóstico e tratamento

Nos casos em que os sintomas de esgotamento, ansiedade ou apatia já estão instalados, a busca por ajuda médica torna-se indispensável. O tratamento da Síndrome de Burnout exige acompanhamento especializado, combinando atendimento psiquiátrico e acompanhamento psicológico.