Estadão

Ibovespa sai das mínimas após dado dos EUA, mas risco fiscal continua no radar

O Ibovespa acentuou o ritmo de queda na manhã desta quinta-feira, 14, seguindo a deterioração das bolsas americanas, que reagem ao avanço dos juros dos títulos americanos. Nesta manhã, o presidente do Federal Reserve (Fed) de Nova York, John Williams, afirmou que um aumento de 50 pontos-base na taxa básica de juros dos Estados Unidos, na próxima reunião de política monetária, é uma opção razoável e viável, sendo que o ritmo depende da trajetória da economia. No entanto, logo diminuiu a velocidade de baixa, após o índice de sentimento do consumidor (preliminar) subir a 65,7 em abril; previsão 59.

"A decisão do BCE em manter os juros vai na contramão do Fed, o que reflete nos Treasuries, indo às máximas", menciona Wilson Sorio Netto, especialista em renda variável da Blue3. Além disso, acrescenta o reajuste de 5% a servidores pelo governo brasileiro incomoda. "Aqui tem a preocupação fiscal. Desde o ano passado, quando começou o debate sobre se romperia ou não o teto de gastos já incomodava. Pode ser que o mercado tenha precificado parte, mas o problema fiscal vai ficando cada vez mais real, assusta e o risco País tende a subir", afirma Netto.

Às 11h02 desta quinta-feira, o Ibovespa cedia 0,20%, aos 116.543,76 pontos, ante mínima diária a 116.123,14 pontos (-0,56%).

Na quarta-feira, 13, o índice Bovespa subiu 0,55%, aos 116.781,96 pontos. Somado a este quadro está o feriado de Sexta-Feira Santa, quando os mercados fecham aqui e lá fora, devendo reduzir a liquidez e deixar o investidor um pouco na defensiva. Para completar, o petróleo cai, podendo abrir espaço para realização nas ações da Petrobras, cujos investidores acompanharão a condução de José Mauro Coelho ao comando da estatal. As ações tinham sinais divergentes: PN caía 0,38% e ON subia 0,14%.

Nos EUA, as vendas do varejo subiram 0,5% em março, ante previsão de 0,6%, e o Banco Central Europeu (BCE) manteve os juros, mas diz que pretende concluir as compras de ativos no terceiro trimestre.

"Se fosse por conta de notícias da China pretende reduzir compulsório para estimular economia, temporada boa de balanços nos EUA, o dia teria tendência de neutra para positiva. Porém, tem a guerra na Ucrânia, muitas dúvidas com a Europa. Resta saber como o BCE lidará com isso", avalia Rodrigo Knudsen, gestor da Vítreo. Mesmo que não vá para o negativo, o Ibovespa caminha para fechar a segunda semana em queda. Até agora, acumula perda de 1,30%.

Além disso, renovadas preocupações fiscais incomodam o mercado, após o presidente Jair Bolsonaro decidir reajustar em 5% os salários do funcionalismo. "A decisão de elevar as despesas de pessoal de forma permanente pode ter algum efeito negativo na percepção de risco , cita em nota a MCM Consultores.

De olho na reeleição, Bolsonaro decidir aumentar os salários de todos os servidores a partir de julho. O custo deve ser da ordem de R$ 6,3 bilhões em 2022, com possibilidade de que o dinheiro para compensar o reajuste seja de cortes em emendas de parlamentares.

A expectativa é que o aumento reduza o incômodo de órgãos como o Banco Central (BC), o Tesouro e a Receita Federal. Essas categorias alegavam que o governo estava os ignorando após o reajuste – sem sucesso – somente a policiais no fim de 2021.

A proposta pode não encerrar a mobilização de servidores porque o reajuste não repõe perdas inflacionárias e nem atende à demanda por reestruturação de algumas carreiras..

Em contrapartida, a informação de que o Tribunal de Contas da União pode julgar a segunda etapa da privatização da Eletrobras na próxima quarta-feira tende a gerar algum alívio entre investidores. As ações PNB subiam 0,38% e ON cedia 0,28%.

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