Cidades

Milhares de famílias invadem área no Lavras, demarcam espaço e constroem barracos

Ação ocorreu neste final de semana em um extensa área localizada entre as ruas Disney e Anísio Abreu

Cerca de 3.000 famílias começaram a apropriação de uma área no Lavras desde o último final de semana. Localizado na estrada dos Lavras, próximo as ruas Disney e Anísio de Abreu, o terreno comportará as novas famílias, além de uma praça e uma igreja para a comunidade.

Os ocupantes dos lotes, que pediram para não ser identificados, informaram que são moradores de áreas próximas e vivem em casas alugadas. Muitos vieram de outras localidades, como por exemplo, do nordeste do país, e enfrentam dificuldades de moradia na cidade.

Todos começaram a ser cadastrados no último sábado e cada um terá direito a um lote de 5m. Segundo os organizadores do movimento, cada família terá direito a apenas um lote e mesmo aqueles que fizeram várias demarcações serão confrontados posteriormente para que todos tenham os mesmos direitos.

A segurança das demarcações é de responsabilidade do novo morador, por esta razão várias pessoas já estavam com colchões, barracas, alimentos e outros pertences para passar a noite no local. Alguns afirmaram que vigiam o terreno para que pessoas de outros bairros não tentem ocupar o local.

Esta não é a primeira vez que a área é invadida. De acordo com os próprios moradores, duas outras vezes, uma em 1997 e outra em 98, já tentaram ocupar a localidade sendo retirados dias depois. Essa tem sido a principal preocupação deles que alegam não ter outra opção, uma vez em que os programas municipais não contemplaram ainda aquela região.

Eles afirmam que o terreno pertence a quatro pessoas diferentes, sendo que um desses donos autorizou a ocupação da área.

Guarulhos conta com 378 ocupações e 27 loteamentos irregulares

Segundo levantamento da Secretaria Estadual de Habitação, divulgado no ano passado, a cidade tem 378 ocupações e 27 loteamentos irregulares. Essas construções geram problemas e principalmente perigos a população.

Além da ausência de infraestrutura adequada, energia, água encanada e sistema de esgoto os desmoronamentos em épocas de chuva são grandes vilões para quem mora nessas localidades. Em janeiro, próximo ao Centro de Detenção Provisória (CDP) II, moradores da comunidade Baquirivu tiveram o desmoronamento de suas residências devido à erosão da margem do rio Baquirivu-Guaçu. Outro problema são os incêndios muitas vezes provocados por essa falta de infraestrutura.

Em junho, a favela localizada na avenida Santana da Boa Vista, região de Cumbica, pegou fogo sem deixar vítimas; três meses depois, um incêndio na favela dos Pallets, localizada na avenida Educador Paulo Freire, continuação da rodovia Fernão Dias – na região do Munhoz – provocou a morte de Patrícia Andrade Silva, de 16 anos e do filho recém-nascido, Yan Guilherme Andrade dos Santos. No mês passado, foi à vez da Favela do Sapo, na Estrada Velha de São Miguel, que também pegou fogo porém não houve vítimas.