O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) instaurou um Inquérito Civil para apurar possível prática de improbidade administrativa envolvendo o prefeito de Guarulhos, Lucas Sanches (PL). A investigação foi formalizada por meio da Portaria nº 0155.0003687/2025, assinada pelo promotor de Justiça Kleber Henrique Basso, da Promotoria do Patrimônio Público e Social de Guarulhos.
O procedimento tem como objetivo investigar possível enriquecimento ilícito, evolução patrimonial incompatível com os rendimentos declarados, eventual ocultação de bens e valores, além de possíveis irregularidades relacionadas ao custeio de impulsionamento de conteúdo em redes sociais, desde agosto de 2020.

O que está sendo investigado
Segundo a portaria, a investigação foi aberta após representação apresentada ao Ministério Público relatando que Lucas Sanches teria realizado elevados investimentos em publicidade nas plataformas Facebook e Instagram ao longo dos últimos anos.
De acordo com a denúncia citada pelo MP, consultas à Biblioteca de Anúncios da Meta indicariam gastos de aproximadamente R$ 2,5 milhões em campanhas relacionadas às eleições de 2020 (vereador), 2022 (deputado federal) e 2024 (prefeito), além de cerca de R$ 750 mil em anúncios vinculados diretamente à pessoa física do atual prefeito.
Os representantes sustentam que esses valores seriam incompatíveis com o patrimônio declarado por Lucas Sanches à Justiça Eleitoral ao longo das campanhas em que se candidatou para diferentes cargos.
A representação foi instruída com capturas de tela da plataforma da Meta e cópias da declaração de bens apresentada pelo então candidato à Justiça Eleitoral em diferentes campanhas.
Conselho Superior determinou continuidade da investigação
A portaria informa que houve discussão sobre a competência para analisar o caso, mas o Conselho Superior do Ministério Público decidiu que a investigação deveria permanecer na Promotoria do Patrimônio Público de Guarulhos, e não ser remetida ao Ministério Público Eleitoral.
Na decisão, o Conselho entendeu que as suspeitas vão além de eventual irregularidade eleitoral. Segundo o trecho reproduzido na portaria, os fatos narrados indicam que os recursos destinados ao impulsionamento de conteúdo ocorreram “não somente no período eleitoral, estendendo-se ao longo de sua vida pública”, seja como vereador ou prefeito.
O Conselho também destaca que a declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral representa apenas um dos elementos para analisar eventual evolução patrimonial incompatível.
Suspeitas de ocultação de bens e “rachadinhas”
Outro ponto destacado na decisão é que a representação menciona possíveis práticas de ocultação de bens e valores e também faz referência a denúncias relacionadas à prática conhecida como “rachadinha” no gabinete do então vereador, conforme foi amplamente divulgado ao longo da campanha eleitoral de 2024.

A portaria ressalta que esses fatos ainda deverão ser apurados durante a investigação e que, neste momento, não há conclusão sobre sua ocorrência.
O GWEB enviou a demanda à Subsecretaria de Comunicação da Prefeitura para que o prefeito se manifeste sobre o assunto. Assim que tiver uma resposta, esta texto será atualizado.


