Opinião

Não é hora de se omitir

O jogo político, para muita gente, é sujo. Não à toa, o número de pessoas que se mostram alheias ao processo eleitoral impressiona. Em Guarulhos, no primeiro turno, 25% dos eleitores ou não apareceram para votar (abstenções) ou preferiram votar nulo, fora os 8,5% que apertaram a tecla “branco”. De 825 mil eleitores aptos a votar, apenas 570 mil escolheram um entre os sete candidatos.


Conforme demonstram os números, não dá para virar as costas para esta realidade. O candidato mais votado em 7 de outubro, o atual prefeito Sebastião Almeida (PT) teve 283 mil votos, ou seja, um terço do eleitorado total. Neste sentido, a oposição, liderada pelo tucano Carlos Roberto (PSDB), passou para o segundo turno pregando a mudança. Munição para isso ele tem: tenta conquistar a preferência destes dois terços que, de alguma forma, não cravaram na continuidade da atual administração.


Em paralelo, neste momento em que as campanhas vão para as ruas no segundo turno, há mais motivos ainda para que os eleitores virem a cara para a política.Exemplo claro é a postura do vereador Alan Neto, que ficou em quinto lugar para prefeito pelo DEM, mas traiu o pacto feito com os candidatos de Oposição menos de três meses atrás, e anunciou apoio ao PT. Ele contrariou toda a lógica do mundo menos uma: a da política. Infelizmente, o mundo político não tem lógica.  Se tem, é uma coisa que não passa pela palavra empenhada, pela ética. Prevalece, nessas horas, o toma lá dá cá.


Óbvio que ninguém  admite que há negociações financeiras nesse tipo de apoio. Mas quem conhece o jogo político mais de perto sabe muito bem que as alianças de segundo turno, muitas vezes, passam exatamente pelo valor agregado que determinada candidatura pode significar. E quem conhece o candidato em questão sabe muito bem que a ideologia de seu partido, bem como o que estava acertado, pode não significar muito. Às vezes, nada. Por isso, a posição de Alan Neto – neste instante – não surpreende.


Destaque-se que este tipo de posição serve para confirmar que a população, muitas vezes, age com sabedoria quando diz não a determinados nomes. Pessoas que não deveriam mais figurar no mundo político, mas que – via de regra – voltam às urnas daqui dois anos, justamente devido à memória curta de muita gente. Porém, esses sujeitos que depõem contra a política não devem ser encarados como regra. Deveriam ser apenas exceção.


 Por isso, é fundamental que o eleitor – em vez de virar as costas para o processo, optando por não comparecer, anulando ou deixando o voto em branco – faça valer sua voz, justamente para tirar de nossas vidas esse tipo de político. Dia 28 há uma segunda chance de votar certo. De usar o direito conquistado pelo processo democrático de escolher quem irá nos governar nos próximos quatro anos. Deixar para lá é uma ação irresponsável. É quase que um ato de covardia.

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