Estadão

NY e China permitem alta ao Ibovespa, mas agenda vazia pode limitar ganho

O Ibovespa sobe na manhã desta quinta-feira, 20, em sintonia com a valorização vista no pré-mercado americano, que indica abertura positiva em Nova York. Novos estímulos da China e valorização do minério de ferro também sustentam o índice Bovespa.

"O Brasil parece que descolou dos EUA e está olhando muito mais para a China, para os estímulos que têm puxado as commodities", diz Flávio Aragão, sócio da 051 Capital. Ele acrescenta que a volta de fluxo está ajudando a impulsionar a Bolsa, que acumula alta em torno de 3,5% em janeiro, enquanto as americanas, quedas. "Dá uma narrativa um pouco mais otimista, e a tendência é o Ibovespa surfar nessa onda". Aragão ponderou que é necessário ficar no radar a iminência de alta de juros nos EUA.

Porém, a instabilidade nas cotações do petróleo, com viés de queda, e o fato de o índice Bovespa ter subido nos últimos dias pode abrir espaço para instabilidade ou até mesmo correção, dado que os temores inflacionários mundiais persistem. Além disso, a agenda vazia no Brasil e também nos EUA pode instigar volatilidade ao Ibovespa, movimento que pode ser reforçado pela eventual antecipação do vencimento de opções sobre ações amanhã. Ontem, o Ibovespa encerrou com alta de 1,26%, aos 108.013,47 pontos, caminhando, por ora, para um fechamento semanal positivo.

A indicação de elevação das bolsas em Nova York, se confirmada, acontece depois de acumularem fortes perdas desde a semana passada em meio a expectativas de aperto monetário nos EUA.

Após medidas de estímulo na China, com corte nas taxas de juros de referência para empréstimos de curto e longo prazos, o minério de ferro fechou com alta de 2,66% no porto chinês de Qingdao, cotado a US$ 134,72 a tonelada. A valorização reflete positivamente nas ações do segmento, ainda que tenham avançado na véspera. Às 10h33, CSN ON, por exemplo, subia 1,25%, e Vale ON, apenas 0,18%. CSN Cimento anunciou emissão de debêntures simples no valor de até R$ 1,2 bilhão.

Apesar da tentativa do gigante asiático, as bolsas asiáticas fecharam com sinais divergentes, dado que a decisão era esperada.

Mesmo com a redução da aversão a risco, o temor inflacionário mundial continua a ser monitorado com cautela pelos investidores. Na Alemanha, o indicador de inflação ao produtor atingiu nível recorde interanual em dezembro. Com isso, cresce ainda mais a espera pelo conteúdo da última ata do Banco Central Europeu (BCE), divulgada nesta manhã. A autoridade monetária tem sido mais relutante em remover estímulos, apesar das pressões inflacionárias, diferindo da postura do Fed.

Para completar, a safra de balanços dos EUA será acompanhada. Hoje, saiu o da American Airlines, cujo prejuízo líquido foi de US$ 931 milhões no período.

Hoje, o juros dos títulos americanos caem após altas recentes. "Wall Street ensaia uma recuperação de parte das perdas de ontem, ainda que o contexto para as bolsas norte-americanas siga desafiador", afirma em nota o economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria, completando que os riscos de alta dos Treasuries de dez anos seguem do lado ascendente.

Além disso, o cenário político local continua sendo monitorado, bem como o impasse entre o governo e os servidores públicos a respeito de reajustes salariais. No câmbio e nos juros, principalmente, investidores acompanharão com afinco as palavras de Roberto Campos Neto, do BC, em evento virtual do Santander.

Às 10h35 desta quinta, o Ibovespa subia 0,69%, aos 108.760,36 pontos, após abrir aos 108.015,27 pontos e alcançar máxima diária aos 108.843,73 pontos (alta de 0,77%).

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