Estadão

Pesquisa é retrato, a vida é filme, diz Ciro Gomes em entrevista

Em meio à dificuldade de ascender aos dois dígitos, o candidato à Presidência da República Ciro Gomes (PDT) rebateu as pesquisas de intenções de voto. Segundo ele, a "pesquisa é retrato, a vida é filme". "Senão, a gente não precisava fazer eleição", disse em entrevista nesta manhã à <i>Jovem Pan</i>, nesta quinta-feira (25).

Em defesa à sua candidatura, mesmo em um ambiente de forte polarização, Ciro afirmou que ela está posta "não porque é fácil, ela está posta porque é necessária". Mantendo o discurso que fez em entrevista ao <i>Jornal Nacional</i>, ele criticou as gestões do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do atual chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (PL), que lideram as intenções de voto. "Eles representam o mesmo tipo de gestão econômica, o mesmo tipo de gestão política", comentou, acrescentando que sua tarefa será de "reconciliar o Brasil".

O candidato do PDT também avaliou com "muita preocupação" a denúncia de empresários que, em grupo de mensagens, defenderam um golpe de Estado caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vença Jair Bolsonaro, nas eleições presidenciais. Na entrevista à <i>Jovem Pan</i>, Ciro defendeu que a liberdade é o princípio em uma democracia. "Portanto, qualquer constrangimento e cerceamento da liberdade só pode ser feito se for amplamente sustentado nos argumentos de fato e de direito que justifiquem a violação dela".

Na terça-feira (23), a Polícia Federal cumpriu mandados contra os empresários denunciados. Além de Luciano Hang, da Havan, são alvos José Isaac Peres, da rede de shopping Multiplan, Ivan Wrobel, da Construtora W3, José Koury, do Barra World Shopping, André Tissot, do Grupo Serra, Meyer Nigri, da Tecnisa, Marco Aurélio Raimundo, da Mormaii, e Afrânio Barreira, do Grupo Coco Bambu. As buscas foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Para avaliar a situação, no entanto, Ciro afirmou que é preciso que as autoridades que determinaram a operação venham a público demonstrar os argumentos que justificaram tal ação. "Vamos supor que a versão dominante seja: havia uma conspiração de empresários, de homens do dinheiro", disse. "Eles estavam conspirando para praticar um golpe? Aí não tem mais liberdade. Se eles não competem nada, aí estamos diante de uma arbitrariedade."

Ciro disse ainda que, todos os dias, há invasão do direito da população pobre. No entanto, quando se invade direitos da população mais rica, há uma mobilização nacional.

Em meio às ameaças às instituições, o candidato declarou que, caso eleito, seu governo será de "respeito e acatamento às instituições". "A última palavra, ainda que seja para errar, é da Suprema Corte, porque é assim que funciona o Estado de Direito Democrático, e vamos tentar aperfeiçoar isso restaurando a autoridade da presidência da República", pontuou.

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