A Polícia Civil de São Paulo investiga ao menos nove mortes com características de execução, registradas em um intervalo de aproximadamente 30 dias na capital paulista. Os corpos das vítimas foram encontrados em diversas regiões da cidade dentro de sacos plásticos, cobertores ou tecidos amarrados, com sinais de brutalidade, como decepações, tiros ou queimados. Do total de vítimas encontradas, oito já foram identificadas, sendo sete homens e uma mulher, das quais parte possuía passagens criminais anteriores.
As investigações são conduzidas de forma individualizada pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) descartou categoricamente a hipótese de atuação de um assassino em série (serial killer), bem como a existência de conexão direta entre os homicídios, atribuindo os crimes a motivações distintas ocorridas em diferentes pontos do município.
Mapeamento das ocorrências e linhas de apuração
A distribuição geográfica dos casos apurada pelo setor de inteligência indica quatro ocorrências na Zona Leste, três na Zona Sul, uma na Zona Norte e uma na Zona Oeste. Entre os episódios registrados estão a localização de um corpo ensacado e amarrado no Jabaquara em 5 de setembro, um cadáver esquartejado achado no Jaçanã em 19 de setembro e uma cabeça humana encontrada no Jardim São Luís em 27 de setembro. Outras vítimas foram encontradas queimadas, decapitadas ou com perfurações por disparo de arma de fogo.
De acordo com o titular da SSP-SP, Osvaldo Nico Gonçalves, a variação nos métodos de execução e a dispersão territorial reforçam que se tratam de fatos isolados com autorias diversas. A principal linha de apuração do DHPP trabalha com hipóteses de vingança, desacertos individuais, justiçamentos e eventual envolvimento de integrantes de facções criminosas. O uso de sacos plásticos ou tecidos em algumas ocorrências é avaliado pela perícia técnica como recurso pontual utilizado para a movimentação e ocultação dos cadáveres.


