Cidades

Protetores denunciam onda de maus-tratos a gatos em cemitério de Guarulhos

Voluntários relatam ameaças por parte de funcionários, retirada de água e comida, maus-tratos e até corpos de animais escondidos em tumbas.

O Cemitério Municipal São Judas Tadeu (Picanço), localizado no bairro Vila Hulda, em Guarulhos, é o centro de uma denúncia envolvendo maus-tratos e violência contra animais. O espaço, administrado pela Prefeitura, serve há anos como abrigo para uma colônia de gatos de rua. No entanto, protetores independentes que atuam de forma voluntária no local afirmam que o espaço se tornou um cenário de horror para os felinos.

De acordo com relatos enviados ao GWEB, de voluntários que frequentam o cemitério desde 2019, a população de gatos caiu de mais de 200 animais para cerca de 70 atualmente. A redução drástica, segundo eles, é reflexo de uma série de ações violentas e de uma suposta determinação velada para exterminar a colônia.

Os protetores reuniram registros fotográficos que mostram potes de água e ração constantemente virados ou destruídos. Eles acusam a administração do cemitério de proibir deliberadamente que os animais se alimentem.

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Histórico de mortes e ocultação de cadáveres

A crise não é recente. Mas neste ano de 2026, novas mortes suspeitas voltaram a acontecer, sem sinais aparentes de doença. Para piorar o cenário, os voluntários descobriram corpos de gatos mortos jogados e escondidos no interior de tumbas, o que aponta para uma tentativa de ocultar os crimes e evitar a repercussão do caso.

Ameaças a voluntários em espaço público

Além da violência contra os animais, os funcionários do próprio cemitério passaram a hostilizar e ameaçar os cidadãos que tentam ajudar. Em um dos episódios mais recentes, uma idosa de 62 anos, que frequentemente levava água para os felinos, foi ameaçada verbalmente por um trabalhador do local, que tomou e descartou o recipiente da mão da idosa, impedindo-a de exercer o zelo pelos bichos. O funcionário apontado na denúncia continua exercendo suas funções normalmente no espaço público.

Para o grupo de apoio aos animais, a solução definitiva seria o resgate e o encaminhamento desses felinos para ONGs parceiras ou lares temporários. Contudo, enquanto esse processo não ocorre, eles cobram uma atuação emergencial e fiscalizadora por parte do Departamento de Proteção Animal (DPAN) e da Prefeitura de Guarulhos para garantir a integridade dos bichos.

O GWEB entrou em contato com a Prefeitura de Guarulhos para questionar se a municipalidade tem conhecimento sobre o descarte de alimentos, as ameaças proferidas contra os voluntários e a respeito da suposta ocultação de cadáveres de animais nas tumbas, além de cobrar quais medidas serão adotadas para a proteção da colônia:

“A Subsecretaria de Bem-Estar Animal informa que realizou vistoria técnica no Cemitério São Judas Tadeu em 8 de junho de 2026, em atendimento à denúncias recebidas sobre a situação dos gatos comunitários que vivem no local. Durante a inspeção, a equipe constatou a presença de diversos felinos em boas condições gerais de saúde e bem-estar, não sendo identificados animais feridos, em situação de maus-tratos ou situações que evidenciassem risco iminente à colônia felina, no momento da vistoria. Eventuais ocorrências específicas relatadas pelos denunciantes devem ser apuradas pelos órgãos competentes, no âmbito dos procedimentos cabíveis. Também foi verificado que a administração do cemitério adotou medidas preventivas para impedir o acesso de animais externos à área, com o fechamento do ponto por onde havia suspeita de entrada de cães. A Subsecretaria mantém acompanhamento da situação e estabeleceu canal permanente de comunicação com a administração do local para o monitoramento da colônia felina. Além disso, já estão sendo planejadas ações de manejo da colônia, incluindo medidas de controle populacional por meio da castração agendada para 18 de junho, com o objetivo de promover a saúde e o bem-estar dos animais, bem como contribuir para a adequada convivência no espaço.”