Estadão

Sem Alckmin, PSD avança negociações para candidato próprio ao governo paulista

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, declarou que o partido já está "avançando na definição de uma candidatura própria" para o governo de São Paulo em 2022. De acordo com ele, essa movimentação ocorre desde que o preferido do partido para a vaga, o ex-governador Geraldo Alckmin, iniciou o diálogo com o PT, deixar o PSDB e negociar sua filiação ao PSB.

Em entrevista à rádio <i>CBN</i>, Kassab afirmou que não é do interesse do partido ter Alckmin na sigla caso a aliança com os petistas se confirme. "Não teria nenhum sentido você trazer alguém para ser candidato a vice", pontuou. Ele ressaltou que o objetivo do partido é a construção de um projeto nacional com base em candidaturas próprias à presidência da República e ao governo paulista.

O PSD pretende lançar o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), ao Planalto, apesar de o parlamentar ainda não ter confirmado sua candidatura. É uma postura "cuidadosa e habilidosa" do senador, avaliou Kassab. O líder do partido, contudo, reafirmou que, por enquanto, a sigla trabalha apenas com o nome do mineiro para as eleições presidenciais.

Sobre o fraco desempenho de Pacheco nas pesquisas, Kassab afirmou que os números não o preocupam. "Todo candidato quando sai pela primeira vez, ele começa do zero. Ele (Pacheco) ainda nem saiu. O importante é que, se ele se definir pela candidatura, ele comece, aí sim, a se apresentar para o Brasil", disse.

<b>Insatisfação</b>

Kassab não escondeu a insatisfação ao ser questionado sobre o histórico de Pacheco. Após perguntas sobre a aproximação do presidente do Senado com o presidente Jair Bolsonaro durante o início de seu mandato, e da postura de Pacheco com relação ao "orçamento secreto", quando o presidente do Senado evitou comentar o caso, Kassab afirmou que não sabia que estava em um debate. "Entendo que entrei em um debate, não em uma entrevista".

Na defesa de Pacheco, Kassab afirmou que quando o projeto que previa as emendas do relator foram aprovadas no Senado, Pacheco não era presidente da Casa. "Ele não tem nenhum papel na condução dessas emendas", reforçou.