Estadão

Temor fiscal e com juros deixa Ibovespa volátil, apesar de alta de NY, Vale e Petrobras

A alta das bolsas internacionais e do minério de ferro, além dos indícios de avanço da agenda do governo e de redução de ruídos políticos são insuficientes para definir um norte ao Ibovespa. Os juros futuros avançam, seguindo a valorização dos rendimentos dos títulos dos Tesouro dos Estados Unidos, Treasuries, o que pesa no principal indicador da B3. Assim, ações ligadas ao ciclo econômico se destacam em baixa

Fica no radar a expectativa de que o governo envie hoje ao Congresso projetos de lei que complementam a reforma tributária.

A agenda de indicadores esvaziada e a espera pela divulgação do balanço da Vale, após o fechamento da B3, geram volatilidade, assim como as questões fiscais.

Espera-se que a mineradora apresente recuo de 5% em seu lucro no primeiro trimestre. Ontem, os papéis da Vale cederam, refletindo o recuo do minério na véspera e a decepção com o balanço da Usiminas.

Apesar do recuo do petróleo no exterior, as ações da Petrobras sobem, assim como as da Vale. Já nos Estados Unidos, o noticiário corporativo movimenta os índices de ações. Os papéis da Tesla dão sequência à valorização de dois dígitos do dia anteriores. AT&T e Boeing apresentaram seus informes hoje.

Às 11h20, Vale subia 0,78%, enquanto o minério teve alta de 3,08% ferro em Dalian, na China. "Há expectativas de anúncio de medidas na China e se o balanço vier como o esperado, já foi incorporado nos preços do papel. A questão é se vier pior", avalia Gabriel Mota, operador de renda variável da Manchester Investimentos.

Petrobras avançava 1,13% (PN) e 0,90%), um dia antes da assembleia de acionistas da estatal.

Ontem, o Ibovespa se descolou de Nova York e fechou com baixa de 0,34%, 125.148,07 pontos.

Hoje, o governo deve enviar ao Congresso projetos de lei que complementam a reforma tributária. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), espera concluir a regulamentação da reforma tributária sobre o consumo ainda no primeiro semestre. E os deputados aprovaram ontem, em votação simbólica, o projeto de lei que reformula o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse). O texto segue agora para o Senado.

"Os mercados estavam carentes de notícias fiscais e o ministro Fernando Haddad conseguiu reduzir o impacto fiscal no Perse. A notícia não chega a surpreender, mas traz algum ganho", avalia o economista Antonio Madeira, da MCM Consultores. Contudo, pondera, que há uma certa cautela diante das incertezas quanto ao impacto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Quinquênio nas contas públicas. "É a próxima grande batalha", diz.

A despeito dos temores fiscais e com a política monetária principalmente nos EUA, o economista Carlos Lopes, do BV, aponta que os riscos fiscais já eram conhecidos, e só estão ficando evidentes, assim como em relação aos juros americanos. Hoje, os rendimentos dos Treasuries avançam. "A estratégia do governo segue sendo de aumento de gastos, de evidências de que a meta fiscal não será cumprida. E a postura do Fed sobre os juros ajuda a aumentar os riscos fiscais", completa.

"Se tem um cenário negativo nos EUA, com os juros dos Treasuries acentua a percepção com o fiscal do Brasil", completa, Mota, da Manchester.

Às 11h29, o Ibovespa caía 0,16%, aos 124.952,31 pontos, ante recuo de 0,17%, aos 124.929,50 pontos, na mínima, depois de subir 0,26%, na máxima aos 125.472,55 pontos. Vale subia 0,81% e Petrobras, entre 0,89% (PN) e 0,64% (ON). Entre as maiores quedas estavam Petz ON (-5,44%) e CVC ON (-5,29%).

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