Opinião

Desinteresse eleitoral

A disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa ou na Câmara Federal mexe mais com o meio político do que com a população em geral. Enquanto as pessoas ligadas às candidaturas vivem dois meses de estresse absoluto dentro das campanha, com as inúmeras ações pertinentes ao momento, a maior parte dos eleitores simplesmente ignora o pleito. É muito comum encontrar gente irritada com o assédio dos candidatos e de seus exércitos, com suas carreatas, buzinaços, exposição de cavaletes. Talvez isso decorra do próprio descrédito que vive a política brasileira, com um sistema que carece de urgente reforma. Houvesse o voto distrital, em que os eleitos ficassem de fato próximos às suas regiões, a realidade poderia ser outra. 
   
Armas de última hora
Apesar de ser proibida, a boca de urna é vista por muito candidato como a principal arma para se dar bem nas eleições. A contratação massiva de “boqueiros” por R$ 50,00 (ou mais) garante que pelo menos aquele que recebeu o agrado vote em seu candidato, além de tentar levar junto seus familiares. Mas tem gente que vai muito mais adiante, investimento em um número elevadíssimo de cabos eleitorais, o que garante votações expressivas. Reza a lenda que, em Guarulhos – assim como em muitas cidades brasileiras -, não fosse a boca de urna muito vereador jamais teria chegado à Câmara Municipal.  
 
Neosaldina em estoque
Diante da grande dificuldade de se eleger para deputado no próximo domingo, tem muito candidato de Guarulhos que reforçou o estoque de Neosaldina – conhecido remédio para dor de cabeça – para usar nos próximos dias. Alguns ficarão tão longe de um lugar ao sol que a enxaqueca pode avançar para além de 2016. 
 
Segundo turno 
A grande dúvida do eleitorado brasileiro é sobre quem disputará o segundo turno nas eleições para presidente contra a quase consolidada presença de Dilma Rousseff (PT) no pleito final. Marina Silva (PSB) – que até chegou a liderar algumas pesquisas logo após a morte do então candidato Eduardo Campos – vem caindo no momento em que o eleitor decide em quem votar. Neste sentido, Aécio Neves (PSDB) se fortalece aproveitando-se do que chama da “onda da razão”, fundamental para ele se habilitar na difícil missão de ir ao segundo turno contra Dilma. 

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