A votação de requerimentos que incluem a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), terminou em confronto físico entre parlamentares — e contou com a participação direta do deputado federal de Guarulhos Alencar Santana (PT-SP), vice-líder do Governo.
A medida foi aprovada em votação simbólica, junto com outros 86 requerimentos relacionados às investigações sobre supostas fraudes envolvendo descontos associativos ilegais em benefícios do INSS, que vem sendo apuradas pela Operação Sem Desconto da Polícia Federal e objeto de trabalho da CPMI.

Confusão na comissão após votação

Logo após a aprovação dos requerimentos pela CPMI, parlamentares da base governista, entre eles o guarulhense Alencar Santana, partiram em direção ao relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), em protesto à forma como a votação foi conduzida e à decisão tomada.
Houve empurra-empurra e troca de gritos entre membros da base e da oposição, com participação de outros deputados, como Evair de Melo (PP-ES) e Luiz Lima (Novo-RJ). A confusão foi tamanha que a sessão foi interrompida e a transmissão ao vivo da TV Senado chegou a ser derrubada.
Vídeos que circulam nas redes mostram os parlamentares se aproximando agressivamente da mesa antes de agentes da Polícia Legislativa e colegas separarem os grupos. A suspensão temporária dos trabalhos reflete o acirramento político em torno das investigações do esquema de fraudes no INSS.
Alencar Santana

Deputado federal e vice-líder do Governo no Congresso, Alencar Santana foi um dos principais parlamentares governistas a se manifestar contrariamente à aprovação na forma em que ocorreu. Em entrevistas e manifestações durante a confusão, deputados da base afirmaram que a votação simbólica comprometeu a discussão individual de cada requerimento e reclamaram de uma suposta “formação de blocos” que beneficiaria apenas a oposição.
Aliados destacaram que a presença dele na frente da mobilização ocorrida na CPMI reforça a insatisfação da base do Governo com o formato da votação e com a inclusão de nomes sensíveis, como o de Lulinha, na agenda da comissão.
Quebra de sigilo e contexto da CPMI
A CPMI do INSS foi criada para investigar um esquema de fraudes bilionárias envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários, que teria lesado milhões de aposentados e pensionistas em todo o país — e vem se desenrolando desde 2025 com depoimentos, quebras de sigilo e convocações de investigados e testemunhas ao longo de diferentes fases das investigações.
O requerimento para a quebra de sigilos bancário e fiscal de Lulinha foi motivado por indícios, como mensagens interceptadas pela Polícia Federal, que indicam possíveis pagamentos de valores que podem estar relacionados às fraudes investigadas, incluindo menções a repasses de cerca de R$ 300 mil vinculados a ele. A própria comissão já havia aprovado anteriormente quebras de sigilos de empresários e investigados relacionados ao esquema, incluindo o chamado “Careca do INSS” e ex-sócios do Banco Master.
Repercussão e próximos passos
Após a interrupção da sessão, parlamentares adversários da decisão afirmaram que irão recorrer a instâncias superiores, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Conselho de Ética, para contestar o processo de votação e a condução dos trabalhos. Membros da base governista também prometeram continuar tentando reverter a aprovação dos requerimentos em bloco ou judicialmente.
A CPMI tem prazo até o final de março de 2026 para finalizar seus trabalhos, incluindo a entrega de relatório final. O impasse político e as repercussões da confusão de hoje em Brasília podem influenciar diretamente os próximos passos da comissão e o desfecho das investigações sobre o caso.



