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Prisões de agressores de mulheres saltam 31% em SP com recorde de 18,5 mil detidos

Prisões de agressores de mulheres crescem 31,2% em São Paulo e chegam a 18,5 mil em um ano (Foto: Pablo Jacob/Governo de São Paulo)
Prisões de agressores de mulheres crescem 31,2% em São Paulo e chegam a 18,5 mil em um ano (Foto: Pablo Jacob/Governo de São Paulo)
Prisões por violência doméstica cresceram 31,2% em São Paulo em 2025 e chegaram a 18,5 mil casos; estado amplia rede de proteção e monitoramento

As prisões de agressores por violência doméstica aumentaram 31,2% em 2025 no estado de São Paulo, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. Ao todo, 18,5 mil pessoas foram presas no período, contra 14,1 mil detenções registradas em 2024.

De acordo com o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, o crescimento está relacionado ao endurecimento na fiscalização de decisões judiciais e à resposta mais rápida às denúncias, estratégia que busca interromper o ciclo da violência antes que ele evolua para casos mais graves.

“Essa resposta ganhou novo impulso com a consolidação do SP Mulher, sistema criado em 2023 para integrar dados e padronizar atendimentos”, afirmou o secretário.

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Tecnologia e integração no combate à violência

O sistema SP Mulher conecta diferentes frentes de atendimento, desde o primeiro contato da vítima pelo telefone 190, com as chamadas Cabines Lilás, até o registro da ocorrência nas Delegacias de Defesa da Mulher (DDM), nas Salas DDM 24 horas e também na DDM Online.

A ampliação dos canais de denúncia é considerada fundamental para a prevenção de crimes mais graves. Em 2025, o estado registrou 270 vítimas de feminicídio, e os dados mostram que 72% delas não haviam registrado boletim de ocorrência anteriormente, enquanto apenas 22% tinham solicitado medida protetiva.

Monitoramento eletrônico de agressores

Outra ferramenta adotada pelo estado é o monitoramento eletrônico de agressores por tornozeleira, implantado em setembro de 2023. Desde então, 712 agressores já foram monitorados, sendo 189 casos ainda ativos.

O sistema também permitiu a condução de 211 autores à delegacia, dos quais 120 permaneceram presos por descumprimento de medidas protetivas.

Aplicativo e botão do pânico

O aplicativo SP Mulher Segura é outra ferramenta usada para ampliar a proteção às vítimas. Atualmente, a plataforma conta com 45,7 mil usuárias cadastradas e já registrou 9,6 mil acionamentos do botão do pânico, que envia imediatamente equipes policiais ao local por meio de georreferenciamento.

Expansão da rede de atendimento

Nos últimos anos, o estado também ampliou em 54% os espaços especializados de atendimento, que hoje incluem 142 Delegacias de Defesa da Mulher e 173 Salas DDM 24 horas.

Na Polícia Militar do Estado de São Paulo, a Cabine Lilás permite que mulheres que ligam para o 190 sejam atendidas por policiais femininas capacitadas, oferecendo acolhimento e orientação imediata.

Segundo o coronel Carlos Henrique Lucena, coordenador operacional da corporação, o sistema ajuda a incentivar o registro das ocorrências.

“Esse atendimento orientado faz com que muitas vítimas registrem o boletim de ocorrência, que é o primeiro passo para interromper o ciclo da violência”, explicou.

Além disso, o estado conta com a Sala Lilás nos Institutos Médico-Legais, espaço reservado para a realização de exames de corpo de delito com atendimento humanizado.

Auxílio financeiro para vítimas

Mulheres vítimas de violência também podem acessar o Auxílio-Aluguel para Mulheres Vítimas de Violência Doméstica, programa estadual que já beneficiou 5.247 mulheres entre março de 2025 e fevereiro de 2026, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo.

Atualmente, 585 municípios paulistas aderiram ao benefício.

Movimento SP Por Todas

As ações também integram o movimento SP Por Todas, iniciativa do Governo do Estado voltada a ampliar a visibilidade das políticas públicas para mulheres e fortalecer a rede de proteção, acolhimento e autonomia profissional e financeira.

Entre as medidas estão a ampliação dos serviços especializados, o fortalecimento dos canais de denúncia e o uso de tecnologia para agilizar o atendimento às vítimas.