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CONECTADO – Sob pressão, Lucas faz gesto para não se queimar ainda mais

O prefeito Lucas Sanches (PL) bem que tentou sair por cima de uma situação que ele mesmo criou e que o deixou muito mal não só entre as mães atípicas, mas perante toda a sociedade. Ao criar o sistema de módulo e tirar das salas de aula, os auxiliares que ajudavam no cuidado com crianças especiais, principalmente, autistas, ele conseguiu causar insatisfação em toda a rede escolar municipal.

Afetou a todos

Segundo as mães atípicas, que foram para as ruas desde o início do ano letivo, há dois meses, mais de 7 mil crianças ficaram sem o atendimento necessário nas salas de aula neste ano. Mas o problema afetou diretamente a totalidade dos alunos, professores e funcionários da rede municipal. Sem o acompanhamento, a situação nas escolas ficou insustentável. Professores se viram obrigados a assistir salas com mais de 30 alunos, além das crianças que precisam de atenção especial, um direito garantido por lei.

Prejuízo geral

Funcionários das escolas também foram afetados, já que os problemas nas salas extrapolaram os corredores e causaram mal-estar em toda comunidade escolar. Muitas crianças ficaram largadas nas escolas. Pais e mães se viram obrigados a não deixar mais seus filhos nas unidades, muitos deles tendo que abrir mão de suas atividades profissionais para cuidar das crianças em casas ou apelar para familiares.

Tentativa de jeitinho

A situação se estendeu por mais de dois meses, sem que Lucas se dignasse a apresentar uma solução. Gênios da administração municipal sugeriram ao prefeito a apelar para o jeitinho. Algumas mães, apontadas como líderes dos movimentos nas ruas, foram chamadas individualmente no Paço para conversar particulares, quando eram oferecidas soluções pontuais para seus filhos. A maioria não aceitou, já que a causa era coletiva.

Salvador da pátria sqn

Somente quando a mobilização avançou e os conselheiros do prefeito perceberam que não seria possível mais lidar com a situação, veio a solução mágica: Lucas chama um grupo de mães e aparece como o salvador da pátria, anunciando a contratação de pouco mais de 1.100 auxiliares para as escolas. No pronunciamento, chegou a dizer que iria acabar com os módulos, uma prática que insinuou vir de gestões passadas, quando na verdade foi criada por ele próprio, numa demonstração que não se importa nem um pouco com a verdade. Vale a versão.

Sem especialização

Pois bem. Aparentemente, Lucas se safou do problema ao abrir o edital para a contratação de 1.126 profissionais. Garantiu em off para as mães que em dois meses tudo voltará ao normal. Só não explicou como irá conseguir contratar este contingente sem qualquer especialização nem curso superior em 60 dias para treinar e garantir um tratamento digno a crianças especiais. Mas tudo bem. É um gesto. Se dará certo, o tempo irá dizer.

Vazou geral

Um áudio do vereador Geraldo Celestino (Mobiliza) em que sugeriu aos colegas da base do Governo Lucas, em que é líder, para assinar o requerimento para a concessão de título de cidadão guarulhense ao ex-ministro do PT, Fernando Haddad, de autoria da petista Fernanda Curti, caiu como uma bomba na Casa e dominou os debates da sessão de quarta-feira passada. Divulgado pelo GWEB, a mensagem enviada apenas ao grupo de vereadores da base, causou grande mal-estar na Casa Branca.

Deixa disso

Celestino, que já vem sendo bastante criticado por não conseguir fazer os trabalhos na Câmara avançar, por muito pouco não perdeu o cargo de líder do Governo. A turma do deixa disso teve que entrar em campo. Na sessão, mais de uma dezena de vereadores usou a Tribuna para condenar o vazamento e “prestigiar” o colega. Somente Kleber Ribeiro (PL), um dos desafetos declarados do líder, partiu para o ataque, abominando a ideia do grupo apoiar o título para o pré-candidato do PT ao Governo do Estado.

Só BO

E por falar em Kleber, mais uma vez, o jovem vereador se envolveu em polêmica ao se desentender com uma deputada estadual do PSB dentro da Prefeitura, durante manifestação das mães atípicas, também na quarta-feira passada. Houve trocas de acusações nas redes e promessas de denúncias na Justiça e registros de Boletim de Ocorrência de ambas as partes. O caso acabou na grande imprensa que repercutiu a história, apontando que o vereador foi acusado de misoginia.